A taxa de desocupação no Brasil registrou um novo marco histórico ao atingir 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice já observado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012. O resultado representa uma queda em relação ao trimestre anterior (dezembro a fevereiro), quando a taxa estava em 5,8%, e uma redução significativa em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o índice era de 6,2%.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam um cenário de aquecimento e expansão contínua na absorção de mão de obra no país. William Kratochwill, analista da pesquisa, destacou que a mínima histórica reflete uma tendência estrutural positiva no mercado de trabalho.
No período, o número de pessoas desocupadas somou 6,1 milhões, um patamar estável em comparação ao trimestre anterior (6,2 milhões) e uma diminuição de 9,3% em relação ao ano passado, quando o total era de 6,7 milhões. A população ocupada alcançou 102,7 milhões de pessoas, um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, o que se traduz em aproximadamente 558 mil novas vagas.
A Pnad Contínua, realizada pelo IBGE, abrange indivíduos com 14 anos ou mais e considera todas as modalidades de ocupação, incluindo trabalhos formais, informais, temporários e por conta própria. Para ser classificada como desocupada, a pessoa precisa ter procurado ativamente por uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro manteve-se estável em R$ 3.726 no trimestre encerrado em maio, em comparação com R$ 3.756 do trimestre anterior. No entanto, houve um aumento real de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação.
A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores sem carteira assinada, autônomos sem CNPJ e outras formas de trabalho sem garantias, situou-se em 37,3%, totalizando 38,3 milhões de pessoas. Este índice representa uma leve queda em relação aos 37,8% registrados há um ano.
A pesquisa também apontou que 66,6% dos trabalhadores, o equivalente a 68,4 milhões de pessoas, contribuíram para a previdência social. A contribuição previdenciária garante direitos como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte, sendo que mesmo trabalhadores informais, como autônomos sem CNPJ, podem ser contribuintes individuais do INSS.
É importante notar que, embora o desemprego atual seja o menor para o período de janeiro a maio desde 2012, o menor índice absoluto da série histórica da Pnad Contínua foi de 5,1% no último trimestre de 2025. Por outro lado, a maior taxa de desemprego já registrada foi de 14,9%, alcançada em setembro de 2020 e março de 2021, em plena pandemia de covid-19.

