Luiz Inácio Lula da Silva, aos 77 anos, assume neste domingo (1º) o seu terceiro mandato como presidente da República, um feito que o insere de maneira proeminente na história recente do Brasil. A eleição, com mais de 60 milhões de votos, reafirma seu protagonismo em um período de mais de três décadas que testemunhou a transição do país para a democracia após 21 anos de regime militar.
Os meses que antecederam a posse foram dedicados à articulação de um governo de ampla coalizão, caracterizado pela inclusão de diversos espectros políticos. A aliança com Geraldo Alckmin, seu antigo adversário, simboliza essa estratégia de união, que buscou agrupar forças de centro-esquerda e até mesmo de centro-direita para a formação de um governo representativo.
Um dos primeiros desafios enfrentados pela nova gestão foi a garantia de recursos para o programa Bolsa Família, com a manutenção do valor de R$ 600 e um adicional de R$ 150 por criança. A aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional assegurou os fundos necessários, demonstrando a capacidade de articulação do governo eleito.
A estrutura ministerial também passou por uma reconfiguração significativa, com a expansão para 37 pastas. Novas áreas foram contempladas com ministérios próprios, como Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos e Povos Originários. O Ministério da Economia foi desmembrado em diversas pastas, incluindo Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Planejamento, e Gestão e Inovação em Serviços Públicos, além da recriação dos ministérios da Cultura e do Esporte, e a reorganização de áreas de infraestrutura.
A trajetória política de Lula remonta à década de 1970, quando atuava como líder sindical no ABC Paulista. Sua ascensão, marcada por greves e pela fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), culminou em sua candidatura presidencial em 1989. Após derrotas em eleições subsequentes, Lula foi eleito presidente pela primeira vez em 2002, um marco que se repetiu em 2006.
Seus mandatos anteriores foram caracterizados pela expansão de programas sociais, investimentos em educação e saúde, e pela valorização do salário mínimo, com destaque para a redução da pobreza. A popularidade alcançada ao final de seu segundo mandato impulsionou a eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar a presidência do Brasil.
A carreira política de Lula também foi marcada por turbulências, como os processos decorrentes da Operação Lava Jato, que levaram à sua prisão em 2018 e o impediram de disputar as eleições de 2018. Posteriormente, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam julgamentos, restabelecendo seus direitos políticos e abrindo caminho para sua candidatura em 2022.

