O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como um “desserviço” à Argentina a atitude do presidente Javier Milei, que proferiu ofensas contra o Brasil durante um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo no último sábado. Alckmin considerou as declarações uma “intromissão em assuntos internos do Brasil” de forma “absolutamente grosseira”.
A fala de Milei ocorreu durante a convenção que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Alckmin lamentou que o líder de um país vizinho e parceiro no Mercosul se envolva em eleições alheias, especialmente em um contexto eleitoral.
“É lamentável que o presidente de um país vizinho amigo, que compõe até o Mercosul, preste um desserviço ao seu país. Porque vem ao Brasil, numa [época de] eleição, [e] não deve presidente se envolver em eleição de outro país”, declarou o vice-presidente em entrevista após o evento na capital paulista.
Questionado sobre possíveis impactos nas relações comerciais, Alckmin destacou a importância do Brasil como principal comprador de produtos argentinos e o maior parceiro comercial do país vizinho, sem responder diretamente sobre o efeito das ofensas.
No evento, Javier Milei dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, referindo-se a ele como “presidiário”, e ao ministro do STF Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca”. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino para consulta, transmitindo a repulsa oficial do governo brasileiro às declarações.

