A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) revelou que a decisão de reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14% ao ano ocorreu em um contexto de inflação em desaceleração, mas ainda sob a influência de incertezas significativas.
Segundo o documento divulgado pelo Banco Central, as expectativas inflacionárias permanecem em patamares elevados, refletindo um cenário de riscos que exige atenção contínua. O comitê avalia que a recente redução da Selic está alinhada com a estratégia de trazer a inflação para perto da meta estabelecida. Além de promover a estabilidade de preços, a medida visa mitigar flutuações na atividade econômica e apoiar o pleno emprego.
Apesar do corte nos juros, o Banco Central enfatiza a necessidade de prudência. A política monetária tem sido um pilar importante no processo de desinflação, contudo, a pressão inflacionária proveniente da demanda persiste. Por essa razão, o BC considera que as taxas de juros ainda necessitam se manter em um nível restritivo para garantir a consolidação da queda da inflação.
No que tange às projeções, o cenário de referência do Banco Central incorpora as estimativas do Boletim Focus para a trajetória dos juros. A taxa de câmbio foi considerada a partir de R$ 5,10 por dólar, com projeções de evolução baseadas na paridade do poder de compra.
As projeções indicam uma desaceleração recente da inflação ao consumidor, embora ainda acima do teto da meta governamental. Por outro lado, os preços ao produtor registraram queda, impulsionados principalmente pelo setor extrativo. O crescimento do crédito direcionado e as incertezas quanto à trajetória da dívida pública são apontados como fatores de risco que podem pressionar as taxas de juros na economia.
No âmbito internacional, a ata destaca a persistência de incertezas, incluindo os desdobramentos de conflitos geopolíticos e as dúvidas sobre a condução da política monetária em economias desenvolvidas. O cenário é marcado pela volatilidade em mercados financeiros e de commodities, demandando cautela de países emergentes. As políticas econômicas dos Estados Unidos continuam sendo um ponto de atenção, contribuindo para a instabilidade global.
Internamente, o Copom observa uma moderação gradual na atividade econômica, confirmando uma trajetória de desaceleração. O mercado de trabalho, apesar de apresentar perda de ritmo no crescimento da ocupação, permanece aquecido, com taxas de desemprego em mínimas históricas. Os rendimentos médios dos trabalhadores, embora com crescimento mais lento, ainda avançam em termos reais a uma taxa superior à da produtividade, segundo a análise do comitê.

