A dívida pública dos Estados Unidos atingiu um marco histórico, superando a marca dos US$ 40 trilhões pela primeira vez. Especialistas apontam uma combinação de fatores que levaram a esse cenário, incluindo cortes de impostos para os mais ricos, inflação impulsionada por conflitos internacionais e tarifas comerciais impostas durante a gestão de Donald Trump.
Além dessas causas, os elevados gastos militares, que se aproximam de US$ 1 trilhão anualmente, e o aumento expressivo nos custos com juros da dívida, que mais que dobraram desde 2021, também contribuem para o endividamento recorde. A taxa de juros consumiu US$ 1,1 trilhão, um valor alarmante para os contribuintes americanos.
A inflação, exacerbada por tensões no Oriente Médio e a política externa considerada agressiva da Casa Branca, especialmente no que diz respeito a tarifas comerciais com países como o Canadá, tem gerado incertezas no mercado financeiro. Essa instabilidade, conhecida como “risco Trump”, pressiona para cima os juros cobrados pelos títulos do Tesouro americano.
Apesar do valor impressionante, economistas consultados pela Agência Brasil descartam um risco iminente de insolvência para os EUA. A capacidade do país de emitir sua própria moeda, o dólar, e sua posição como principal reserva monetária global conferem uma segurança financeira considerável. O Federal Reserve (FED), banco central americano, tem a capacidade de intervir comprando títulos, como já ocorreu em momentos de crise.
A carga tributária nos EUA, estimada em cerca de 25% do PIB, é inferior à média de 34% de países da OCDE. Essa diferença, aliada a políticas de redução de impostos para os mais ricos, tem diminuído a arrecadação e contribuído para o aumento da dívida, enquanto os juros beneficiam detentores de títulos e famílias de alta renda.
O cenário de juros mais altos nos títulos do Tesouro americano, atingindo níveis não vistos desde 2007, é atribuído por especialistas à percepção de risco político associado à política econômica da atual administração. A confiança em pilares como a autonomia do FED e a estabilidade nas relações internacionais é vista como fundamental para a atratividade dos títulos americanos no mercado global.
Apesar das preocupações com a dívida e os juros, o mercado financeiro continua a investir em títulos do Tesouro dos EUA. A solidez do dólar como moeda de reserva global e a diversidade de investidores, incluindo o próprio governo e o FED, mitigam os riscos de uma crise de pagamento. No entanto, a sustentabilidade fiscal a longo prazo e o impacto das políticas econômicas na distribuição de riqueza permanecem pontos de atenção.

