A divisa americana encostou na marca de R$ 5,20 nesta sexta-feira, impulsionada por declarações consideradas mais duras do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, a respeito do controle inflacionário no país. Em contrapartida, a bolsa de valores brasileira (Ibovespa) engatou a oitava sessão seguida de valorização.
O mercado financeiro interpretou o discurso do líder do Fed como um sinal de que a instituição pode estar mais inclinada a elevar as taxas de juros em setembro. Essa perspectiva aumentou a atratividade dos títulos da dívida americana, impactando o fluxo de capitais globais.
O dólar comercial iniciou o dia em baixa, chegando a R$ 5,1581, mas reverteu a tendência ao longo da manhã. A moeda atingiu o pico de R$ 5,23 no início da tarde, antes de fechar o pregão a R$ 5,196, uma alta de 0,62% no dia. Na semana, o dólar acumulou uma valorização de 1,06%, embora ainda apresente uma desvalorização de 5,34% no acumulado do ano.
A fala do presidente do Fed, que destacou a necessidade de garantir que a inflação subjacente retorne à meta de 2% de forma sustentada, elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. O título de dois anos, sensível às decisões de política monetária, viu seu retorno subir, refletindo as expectativas de juros mais altos.
No cenário doméstico, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontaram para a criação de 58.568 vagas formais em julho, um número inferior às projeções do mercado. Essa informação reforçou a percepção de uma desaceleração no mercado de trabalho brasileiro, alimentando apostas de um corte na Taxa Selic pelo Banco Central em setembro. A expectativa predominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75%.
O Ibovespa, por sua vez, manteve sua trajetória de alta, fechando a sexta-feira em 175.664,62 pontos, com uma elevação de 0,30%. Essa marca representa a oitava alta consecutiva para o índice, que acumulou ganhos de 2,71% na semana. Apesar do desempenho positivo recente, o Ibovespa ainda registra uma queda de 1,31% em agosto, mas mantém uma valorização de 9,02% no ano.
Em Nova York, as bolsas de valores apresentaram desempenho negativo, com o Nasdaq liderando as quedas. O Dow Jones e o S&P 500 também fecharam em baixa, reflexo da perspectiva de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed, que tende a diminuir o apetite por ativos de maior risco.

