O governo federal planeja destinar R$ 6 bilhões aos Correios em 2027, um aporte financeiro que faz parte de um acordo de financiamento e de um plano de reestruturação da empresa estatal. O valor será incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, a ser apresentado ao Congresso Nacional em breve. Esta medida surge após a estatal registrar um prejuízo líquido considerável no segundo trimestre de 2026.
A confirmação do aporte veio em uma nota conjunta dos ministérios das Comunicações, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e do Planejamento e Orçamento. A quantia de R$ 6 bilhões está diretamente ligada às condições de um empréstimo de R$ 12 bilhões que os Correios firmaram com cinco bancos em dezembro de 2025. O acordo estipula que a União deve injetar pelo menos R$ 6 bilhões para auxiliar no plano de reequilíbrio financeiro da empresa. Embora o contrato estabeleça que os fundos devam estar disponíveis até o final de 2027, o governo tem flexibilidade para definir o momento e a forma de liberação dos recursos.
A operação de crédito foi realizada com a garantia do Tesouro Nacional. Isso implica que, caso os Correios não consigam honrar suas obrigações financeiras, a União poderá ser acionada para cobrir a dívida com as instituições credoras. A inclusão do montante no PLOA representa a previsão orçamentária, mas não garante que os R$ 6 bilhões serão transferidos de uma única vez no início de 2027.
Recentemente, os Correios divulgaram um balanço financeiro indicando um prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, totalizando R$ 5,5 bilhões de janeiro a junho. Embora o prejuízo trimestral seja menor que o registrado no mesmo período do ano anterior, o acumulado semestral apresentou um aumento de aproximadamente 30% em relação a 2025.
A empresa tem enfrentado uma crise financeira caracterizada por prejuízos recorrentes, queda nas receitas e aumento de despesas. Em resposta, os Correios lançaram em dezembro de 2025 um plano de reestruturação com diversas medidas, incluindo um Programa de Demissão Voluntária (PDV), cortes de custos, alienação de imóveis, renegociação de contratos e otimização de despesas operacionais. O objetivo é melhorar a saúde financeira e recuperar os resultados da companhia.
Apesar do cenário de prejuízos, o governo ressaltou melhorias no perfil da dívida da estatal. Os Correios encerraram o primeiro semestre sem empréstimos de curto prazo, quitaram uma operação mais onerosa e conseguiram estender prazos de pagamento de parte de sua dívida. A empresa também realizou captações de R$ 12 bilhões com garantia da União e está em negociação avançada para uma nova operação de crédito de cerca de R$ 7 bilhões, também com aval do governo federal.
O governo também apontou uma redução nas despesas operacionais no primeiro semestre, com custos de serviços abaixo do previsto e queda nos gastos com pessoal, em parte devido ao PDV. O desempenho operacional, medido pelo Ebitda, também superou as expectativas, indicando avanços na recuperação operacional, ainda que a situação financeira exija contínuas medidas de reestruturação e reforço de liquidez.

