Nesta quinta-feira (3/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) antes mesmo das eleições de 2026, segundo informações da CNN Brasil.
A possibilidade já teria sido discutida com o presidente e com integrantes da cúpula da campanha à reeleição. A avaliação é de que a indicação de Couto, que possui carreira na magistratura, poderia produzir três efeitos políticos para Lula.
O primeiro seria afastar o presidente do desgaste envolvendo o STF após a exposição das relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O segundo seria permitir que Lula apresentasse, durante a campanha, um discurso de combate à corrupção, associado à atuação de Couto à frente do governo do Rio.
Couto assumiu o comando do estado após o afastamento da cúpula do governo fluminense por suspeitas de corrupção. Desde então, sua gestão tem sido marcada pela defesa da moralidade e por medidas de combate à corrupção.
O terceiro efeito avaliado pela campanha seria ampliar o potencial de votos de Lula no Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do país. Pesquisas que estariam em poder da campanha petista apontariam que Couto possui aprovação superior a 80% no estado. Com uma eventual indicação ao STF, Lula poderia se associar politicamente à imagem do governador.
O movimento ocorreria em um cenário de disputa acirrada pela Presidência. Segundo as informações apresentadas pela CNN Brasil, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados e sem definição clara em um eventual segundo turno. O mesmo cenário seria observado na disputa presidencial no Rio de Janeiro.
Na eleição estadual, o candidato apoiado por Lula para o governo fluminense é Eduardo Paes (PSD), que aparece bem posicionado nas pesquisas, mas acompanha o crescimento do bolsonarista Douglas Ruas (PL).
Como Ricardo Couto chegou ao governo
Ricardo Couto chegou ao cargo de governador por ocupar a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e, consequentemente, ser o terceiro na linha sucessória do estado.
Com o governador, o vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativa afastados dos cargos por suspeitas de corrupção, Couto assumiu o comando do Executivo estadual.
Uma das principais medidas de sua gestão tem sido a substituição de servidores suspeitos de manter ligações com o crime organizado ou com a chamada “banda podre” da política fluminense.
Antes de ganhar força como possível nome para o STF, Couto era cotado para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A avaliação positiva de sua atuação, porém, teria levado a campanha petista a considerar seu nome para a Suprema Corte.
A possibilidade também seria vista com bons olhos por integrantes do STF próximos a Lula.
Couto teria conhecimento da movimentação em torno de seu nome.

