Nesta sexta-feira (4/9), veio à tona que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu por cerca de três horas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), antes de apresentar acusações contra o ministro André Mendonça. O encontro ocorreu na quarta-feira (2/9), na residência de Alcolumbre, no Lago Sul, em Brasília, segundo informações publicadas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, e confirmadas por três fontes ouvidas pela jornalista.
A reunião chama atenção porque Alcolumbre aparece justamente nos relatórios de inteligência utilizados por Moraes em sua ofensiva contra Mendonça. O presidente do Senado é descrito no material como um “provável alvo estratégico” de um suposto direcionamento das investigações conduzidas pelo colega de Supremo.
O próprio conteúdo dos relatórios, porém, exige cautela. Segundo informações também divulgadas nesta sexta-feira (4/9), os documentos não têm assinatura de delegado, trabalham com relatos anônimos e hipóteses de inteligência e foram considerados sem valor probatório. No trecho relacionado a Alcolumbre, o grau de confiança das informações foi classificado como baixo, e o material advertia que qualquer utilização externa seria prematura.
Mesmo assim, Moraes utilizou os relatórios ao levar ao presidente do STF, Edson Fachin, acusações contra Mendonça. O ministro sustenta haver indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, além de possível direcionamento de investigações por razões pessoais e políticas. As acusações ainda estão sob análise e não representam conclusão de que Mendonça tenha cometido irregularidades.
Um dos trechos do relatório afirma que Alcolumbre poderia ser considerado alvo estratégico devido à força política que exerce e, principalmente, ao poder do presidente do Senado sobre a tramitação de pedidos de impeachment de ministros do STF. O documento relaciona essa hipótese ao histórico de divergências entre Alcolumbre e Mendonça durante o processo de indicação do ministro ao Supremo.
A movimentação ganha outro componente político porque, depois da reunião com Moraes, Alcolumbre reagiu no plenário do Senado às cobranças para que coloque em andamento pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Na ocasião, citou o projeto do filme “Dark Horse” e questionou as críticas concentradas sobre Moraes. Nos bastidores, interlocutores atribuem à relação de Alcolumbre com Mendonça parte da resistência do presidente do Senado em abandonar politicamente Moraes. Segundo a apuração de Malu Gaspar reproduzida por outros veículos, a avaliação seria de que um enfraquecimento de Moraes poderia fortalecer Mendonça, considerado adversário político de Alcolumbre.
Outra fonte ouvida pela coluna avaliou que a ofensiva de Moraes poderia criar condições políticas para que Alcolumbre passe a considerar a abertura de um processo de impeachment contra Mendonça. Por enquanto, porém, essa possibilidade está restrita a avaliações de bastidores. Não há confirmação de que o presidente do Senado tenha decidido pautar um pedido contra o ministro.
A disputa ocorre em meio à escalada da crise interna no Supremo envolvendo as investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Fachin abriu procedimento para analisar a situação e deu prazo para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos.
Fontes: O Globo (coluna de Malu Gaspar), Poder360, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Metrópoles.

