O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (10/9) que os 29 alvos de mandados de busca e apreensão na operação Make Up não poderão deixar o país sem autorização judicial. A decisão do magistrado também proíbe que os investigados se comuniquem entre si.
Entre os atingidos pela medida estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), assessores ligados ao seu gabinete e a empresária Karina Gama, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidade na destinação de R$ 2 milhões repassados por meio de emenda parlamentar de Mario Frias. A Polícia Federal investiga se uma parcela do valor total não teria comprovação de utilização, por meio de nota fiscal, pela produtora do filme. Essa suspeita motivou a autorização, por Dino, da operação de busca e apreensão contra o parlamentar nesta manhã.
A força policial cumpre, ao todo, 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento da produção, distribuídos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. As investigações apontam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
O financiamento de “Dark Horse” é alvo de dois inquéritos no STF: um relatado pelo ministro André Mendonça e outro, voltado ao possível direcionamento de emendas parlamentares, sob relatoria de Dino. Em março, o ministro já havia determinado que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme, solicitando informações sobre “possíveis irregularidades” na execução dos recursos.
Frias é produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura na gestão Bolsonaro. Em manifestação enviada ao STF em maio, o deputado negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo já havia realizado operação contra a Go Up Entertainment, produtora do filme, mirando suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos. Após determinação de Dino, a corporação compartilhou com o STF os dados obtidos na ação.
A CNN procurou a assessoria de Mario Frias sobre a operação realizada nesta quinta-feira e aguarda resposta. A reportagem também tenta contato com Karina Gama.

