Hertz Dias, candidato à Presidência pelo PSTU, apresentou um plano de governo com propostas focadas no combate à concentração de poder econômico e na defesa dos direitos trabalhistas. Entre os pontos centrais de sua plataforma estão o fim da jornada de trabalho em escala 6×1 sem redução salarial, a implementação da jornada de 36 horas semanais e a revogação das reformas trabalhista e da Previdência.
O plano de governo de Dias também contempla a reindustrialização do país e o fim das privatizações em setores estratégicos como metrôs, estradas e ferrovias, com a proposta de reestatização de empresas. O documento parte da premissa de que o Brasil, apesar de ser uma das maiores economias globais, enfrenta uma das maiores desigualdades sociais do mundo, com uma parcela significativa da população vivendo com rendimentos baixos.
O PSTU argumenta que o país passa por um processo de retrocesso e recolonização devido à dominação imperialista, o que tem resultado em desindustrialização, empobrecimento, precarização do trabalho e aumento da violência urbana. Para reverter esse quadro, a plataforma propõe a construção de um governo liderado pela classe trabalhadora, que promova direitos trabalhistas, serviços públicos e mudanças estruturais na economia.
Na área econômica, o plano sugere o fim de benefícios fiscais para grandes empresas, a criação de impostos progressivos sobre lucros e grandes fortunas, e a taxação de remessas de capital ao exterior. Propõe-se também limitar a distribuição de dividendos por grandes empresas, com reinvestimento obrigatório no Brasil, e a expropriação de ouro e metais preciosos estratégicos para fortalecer as reservas cambiais públicas.
No que tange ao trabalho, além da redução da jornada para 36 horas semanais sem corte de salário e o fim da escala 6×1, o programa prevê a criação de empregos através de obras públicas, a universalização do saneamento básico e o aumento do salário mínimo para o valor idealizado pelo Dieese. Há também propostas de bolsa para desempregados e o reconhecimento de vínculo empregatício para trabalhadores de aplicativos, garantindo-lhes direitos como férias e décimo terceiro.
O candidato também defende a demarcação de terras indígenas e quilombolas, o fim de subsídios ao agronegócio e a expropriação de grandes propriedades rurais, com o objetivo de transferir o controle da produção para os trabalhadores rurais.
Para as mulheres, o programa propõe igualdade salarial, prioridade no acesso a emprego e políticas públicas, creches e escolas em tempo integral, aborto legal e seguro, e licença parental de um ano. Medidas semelhantes são propostas para a população LGBTQIA+, com foco em saúde especializada e direitos de redesignação sexual. Na questão racial, o plano inclui a titulação de territórios quilombolas, a ampliação de cotas raciais e o combate à intolerância religiosa.
Em segurança pública, a proposta é a desmilitarização da Polícia Militar e a unificação das forças policiais sob controle dos trabalhadores, além do fim da criminalização de manifestações culturais e da privatização de presídios. O combate ao crime organizado seria focado na investigação e desarticulação de negócios, e não em operações militares que afetam a população trabalhadora.
Na saúde, a defesa é por um sistema 100% público e estatal, com ampliação do investimento e prioridade para a atenção básica. Na educação, o plano visa fortalecer a rede pública, com fim de parcerias público-privadas e revogação de reformas como o Novo Ensino Médio, além da valorização dos profissionais da área.
Por fim, no transporte público, a proposta é a tarifa zero e a reversão de concessões privadas, com controle público e dos trabalhadores. Para habitação, prevê-se a construção massiva de moradias populares e a urbanização de periferias, com expropriação de imóveis ociosos para fins de especulação imobiliária.

