Relatório da Polícia Federal (PF) aponta que Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, olhou oito vezes o telefone celular antes de fugir em um carrinho de golfe em Trancoso (BA), segundo documento divulgado nesta segunda-feira (21/9). Nas imagens registradas, ele aparece em uma área do deck da piscina e mostra o aparelho a um amigo antes de deixar o local.





Felipe saiu momentos antes da chegada da PF à casa dele. A tentativa de fuga teria ocorrido na segunda fase da operação, em 14 de janeiro deste ano. Gravações do circuito interno analisadas pela corporação mostram a movimentação na residência entre 5h13 e 5h41, enquanto a equipe da PF aparece chegando ao imóvel às 5h59.
“Em atenção aos arquivos registrados no dia 14 de janeiro de 2026, data da deflagração da operação policial supracitada, é possível apontar o início da gravação às 5h13min36s, após a aparição de um indivíduo na área do deck da piscina, cujos traços e compleição corporal se assemelham a Felipe Cançado Vorcaro”, diz trecho do documento.
As imagens constam nos novos documentos enviados pela investigação por meio da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o primo de Vorcaro parecia inquieto diante do telefone. “Os dois indivíduos passam, então, a ficar na área do deck, ora caminhando, ora sentados. P1 (Felipe Vorcaro), inclusive, apoia o telefone celular em uma mesa na área piscina, e passa a caminhar no local constantemente olhando para o aparelho, enquanto P2 (o amigo) permanece sentado na cadeira usando o seu telefone celular”, aponta o relatório.
Primo preso
Felipe Vorcaro foi preso em 7 de maio durante a quinta fase da Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao Banco Master.
Ao autorizar a prisão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o primo de Daniel Vorcaro é apontado pela PF como integrante do “núcleo financeiro-operacional” da suposta organização criminosa, responsável pela operacionalização de movimentações societárias e financeiras investigadas.
À época da prisão, a defesa de Felipe negou que ele estivesse tentando fugir do local. “Felipe não estava no carrinho. Não recebeu informação privilegiada sobre o cumprimento da diligência. Não praticou qualquer ato destinado a frustrá-la”, alegaram os advogados.

