O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, admitiu que votará no Senado a favor do fim da escala 6×1, pauta do governo de seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta terça-feira (13/10).
A declaração foi dada após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília (DF).
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6 x 1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6 x 1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, disse Flávio.
Ele vinha se colocando contra a proposta do governo Lula, que definiu como “oportunista” e “eleitoreira”, mas recuou e agora a trata como um desejo do eleitor. O senador avalia, porém, que a proposta apresentada na forma de PEC tem lacunas regulatórias e carece de maior flexibilidade. Segundo ele, o modelo atual desconsidera realidades contemporâneas, como o home office e as necessidades específicas de mães com restrições de horário, e ele defendeu maior autonomia na escolha da jornada.
“Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho, só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela”, disse.
Críticas a Lula e a quem caberá o custo
Antes crítico, o senador agora diz ver o fim da 6×1 como um “processo de evolução”, mas não poupou Lula. “Eu acho que a gente tem que buscar ali fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior sim, só que a realidade do brasileiro hoje é que o Lula quebrou as empresas, as empresas estão endividadas e o Lula endividou também as famílias brasileiras”, afirmou.
Para o presidenciável, o governo terá de arcar com o ônus do novo modelo de relação entre empregador e empregado. “Quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então, o governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas, tem o risco de muita gente ir para a informalidade”, observou.
Reencontro com o pai
A 12 dias das eleições presidenciais, Flávio voltou a ter contato direto com Bolsonaro, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. O senador chegou à residência do pai por volta das 9h45. Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar, após ser condenado a 27 anos e 3 meses por liderar a trama golpista.
“Então saio muito feliz daqui. Ele [Bolsonaro] estava muito alegre com o resultado dessas eleições, com o primeiro turno, a gente vindo na frente. Estava muito feliz de ter sido ouvido pela maioria do povo brasileiro, que deu um Senado forte para a legislatura a partir de 2027. Deu uma Câmara ainda mais forte também, mais à direita. Então a expectativa dele é a melhor possível com relação ao futuro do nosso Brasil”, falou Flávio.
O retorno às visitas foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após 90 dias de proibição, encerrados no domingo (11/10). Segundo o magistrado, não surgiram fatos novos que justificassem a prorrogação da medida.
Na segunda-feira (12/10), durante coletiva após cerimônia em homenagem ao Dia da Padroeira, em Brasília, Flávio disse estar ansioso para ver o pai e criticou a restrição imposta pelo STF. “Estou ansioso, há mais de três meses sem vê-lo por uma decisão sem nenhum amparo legal. Separar o filho do pai é o mais grave. Quero saber como está o rosto dele, o ânimo dele com o que está acontecendo”, declarou.
Entenda o que levou à proibição da visita
- A restrição foi imposta depois que Jair Bolsonaro descumpriu medidas cautelares determinadas pelo STF;
- Moraes estabeleceu que o ex-presidente está proibido de divulgar manifestos ou mensagens de conteúdo político-eleitoral, mesmo por intermédio de terceiros, independentemente do meio utilizado;
- A determinação ocorreu após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai;
- O ministro manteve a proibição de o filho mais velho visitar Bolsonaro por 90 dias;
- Na segunda-feira, Moraes liberou a visita de Flávio, mas vetou manifestações políticas.
Agenda de Flávio
Após visitar o pai, Flávio seguiu para São Paulo, onde participaria de reunião com o MDB e, depois, do Grande Encontro do Associativismo, com a coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques.
Na semana passada, o senador conversou com o presidente nacional emedebista, Baleia Rossi, para acertar o anúncio do apoio de diretórios regionais da sigla. Flávio ampliou as alianças para 25 de outubro com o apoio de União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e Novo.
*com informações do Metrópoles

