A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, anunciou que a extinção da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de folga) é uma das prioridades do governo federal para este ano. Em declarações à imprensa, Hoffmann informou que o executivo pode apresentar um projeto de lei unificando as propostas já em discussão no Congresso Nacional sobre o tema, com a expectativa de aprovação ainda no primeiro semestre.
Gleisi Hoffmann destacou que, após medidas como a correção real do salário mínimo, a geração de empregos e a isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, o foco do governo agora se volta para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. A ministra ressaltou que a escala 6×1 impacta negativamente o tempo de descanso e a realização de tarefas pessoais, afetando principalmente as mulheres, e que o presidente Lula está determinado a mudar essa realidade.
A ministra também mencionou que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, demonstrou receptividade em pautar o assunto, e que o governo se empenhará pela aprovação. Segundo Hoffmann, a proposta conta com amplo apoio popular e, assim como a isenção do IR, deve obter consenso no parlamento, lembrando o apoio unânime recebido para a isenção tributária.
Com o retorno dos trabalhos legislativos em 2 de fevereiro, o governo planeja priorizar, além do fim da escala 6×1, a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativo, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção, além de medidas provisórias importantes.
Outro ponto de destaque é a defesa do veto presidencial ao projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria, que altera a redução de penas para condenados por atos antidemocráticos. Gleisi Hoffmann argumentou que manter o veto é crucial para a responsabilização e para a proteção da democracia, especialmente enquanto os processos relacionados aos atos de 8 de janeiro ainda estão em andamento.
A ministra também anunciou que os Três Poderes assinarão um pacto contra o feminicídio em 4 de fevereiro, reforçando o compromisso do governo com o enfrentamento à violência contra a mulher.
Em relação às emendas parlamentares, Hoffmann declarou que o tema está pacificado. O orçamento prevê R$ 61 bilhões para emendas em 2026, sendo R$ 37,8 bilhões de caráter impositivo. O governo pretende antecipar o pagamento de 65% dessas emendas até julho, priorizando transferências diretas e fundo a fundo.
Sobre as investigações envolvendo o Banco Master, Gleisi Hoffmann refutou tentativas da oposição de associar o governo ou figuras como Ricardo Lewandowski ao dono da instituição, Daniel Vorcaro. Ela reafirmou que o presidente Lula orientou rigor técnico e legal nas apurações, que ocorreram inclusive durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça, período em que o presidente do Master foi preso.
Hoffmann ressaltou que a Polícia Federal realizou a Operação Compliance Zero em novembro de 2025 para investigar fraudes financeiras no Banco Master, com suspeitas de valores bilionários. A ministra também apontou que a oposição tem mais explicações a dar, citando a tentativa de compra do BRB e operações suspeitas com o Rioprevidência.

