O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não visualizou a parte considerada racista de um vídeo que ele próprio compartilhou em suas redes sociais, onde o casal Obama era retratado em associação com macacos. Embora tenha condenado o conteúdo racista, Trump afirmou que não se desculpará pela publicação.
“Eu não cometi nenhum erro. Eu analiso milhares de coisas. E eu vi o começo [do vídeo]. Estava tudo bem”, disse Trump a jornalistas ao ser questionado sobre o assunto enquanto se preparava para embarcar no avião presidencial.
A publicação gerou grande repercussão, levando inclusive líderes republicanos, do partido de Trump, a solicitar um pedido de desculpas do presidente. Após as críticas, o vídeo foi removido da plataforma pelo mandatário.
O vídeo em questão, com uma duração de 2 segundos, foi adicionado ao final de um clipe de aproximadamente um minuto que continha teorias conspiratórias e alegações já desmentidas sobre fraudes nas eleições de 2020, nas quais Trump foi derrotado pelo atual presidente democrata Joe Biden.
Sob pressão dos repórteres, Trump acrescentou que “provavelmente” nenhum membro de sua equipe assistiu à totalidade do vídeo. “Alguém deixou passar um detalhe muito pequeno. Aliás, repito, não fui eu que fiz isso, foi outra pessoa. Foi uma republicação, não fomos nós que fizemos [o vídeo]”, concluiu o presidente.
A postagem foi alvo de críticas não apenas de opositores políticos, mas também de membros do próprio partido Republicano, que qualificaram o vídeo como explicitamente racista. O senador Tim Scott, o único republicano negro em exercício no Congresso dos EUA, expressou que orou para que o vídeo fosse falso, descrevendo-o como “a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca”.
O deputado republicano Mike Lawler classificou a publicação como “extremamente ofensiva – seja intencional ou um engano”, e defendeu que Trump, além de apagar o vídeo, deveria emitir um pedido de desculpas formal.
A publicação do vídeo racista ocorreu em meio a uma série de postagens de Trump reiterando falsas acusações de fraude na eleição de 2020. O vídeo que associava Obama a um macaco incluía alegações já refutadas de que a empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems teria participado de fraudes eleitorais. Em decorrência de alegações semelhantes, a emissora Fox News chegou a um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para encerrar um processo por difamação.
O fortalecimento da narrativa de fraude eleitoral por parte de Trump ocorre em um momento em que avaliações indicam que o Partido Republicano pode perder sua pequena maioria na Câmara e no Senado dos EUA nas eleições de novembro. No último sábado, um democrata conquistou uma cadeira no Senado estadual do Texas que era ocupada por um republicano desde os anos 1990, em uma virada que, segundo a historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston, deixou os republicanos em “pânico total”.

