O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica ao publicar um vídeo em suas redes sociais que continha imagens de Barack Obama e Michelle Obama representados como macacos. A publicação ocorreu na madrugada desta sexta-feira (6) e rapidamente suscitou reações negativas.
O clipe de dois segundos foi inserido ao final de um vídeo mais longo, que abordava teorias da conspiração e alegações não comprovadas de fraude nas eleições presidenciais de 2020, nas quais Trump foi derrotado por Joe Biden. Obama foi o primeiro presidente negro da história americana.
Em resposta à publicação, o deputado negro Hakeem Jeffries, líder dos democratas na Câmara dos Representantes dos EUA, criticou veementemente a atitude de Trump. Jeffries defendeu o ex-presidente e a ex-primeira-dama, afirmando que eles representam “o melhor deste país” e classificou Trump como “um verme vil, desequilibrado e maligno”. Ele também questionou o apoio contínuo de líderes republicanos a Trump e pediu uma denúncia imediata do que chamou de “fanatismo repugnante”.
O vídeo controverso faz parte de uma série de mais de 60 postagens feitas por Trump em um curto período, muitas delas reiterando acusações de fraude eleitoral em 2020, que não foram comprovadas em investigações e processos judiciais. Uma das alegações desmentidas incluídas no vídeo associava a empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems a uma suposta fraude, alegação que já levou a emissora Fox News a um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para evitar um processo por difamação.
A intensificação das alegações sobre fraudes eleitorais por parte de Trump ocorre em um momento em que analistas avaliam o impacto de seus posicionamentos nas próximas eleições de novembro, onde os republicanos podem perder a maioria na Câmara e no Senado. Um exemplo recente citado pela historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston, foi a conquista de uma cadeira no Senado estadual do Texas por um democrata, em um distrito que antes era controlado por republicanos e que Trump havia vencido em 2024. A virada de 32 pontos percentuais na votação deixou os republicanos em estado de alerta.
Adicionalmente, o estrategista trumpista Steve Bannon sugeriu recentemente a mobilização de agentes de imigração, ligando-os a protestos recentes nos EUA e repetindo alegações não comprovadas sobre imigrantes ilegais “corrompendo a eleição”. Essas declarações surgem em um contexto onde republicanos têm alterado limites de distritos eleitorais em estados como Texas e Missouri, em uma prática conhecida como “gerrymandering” ou manipulação eleitoral, que visa redesenhar fronteiras para favorecer um determinado grupo político, muitas vezes diluindo a representatividade de minorias.

