Representantes de motoristas de aplicativo trouxeram à tona na Câmara dos Deputados as principais dificuldades enfrentadas pela categoria: a remuneração e a segurança. As preocupações foram apresentadas durante um debate sobre trabalho digital, promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes).
Denis Moura, diretor da Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos, destacou que os algoritmos das plataformas exigem uma produtividade elevada para garantir ganhos satisfatórios. Ele ressaltou a necessidade de uma maior humanização na relação entre as empresas e os trabalhadores, que, segundo ele, muitas vezes se iludem com o potencial de renda.
Moura também solicitou ao governo a criação de um cadastro nacional de motoristas, visando coletar mais dados sobre a profissão. Atualmente, a Câmara discute o Projeto de Lei Complementar 152/25, que busca regulamentar a atividade.
No que diz respeito à segurança, o representante mencionou os riscos enfrentados ao acessar certas comunidades, como em algumas áreas do Rio de Janeiro. Ele sugeriu que os aplicativos implementem restrições para áreas de alto risco ou que deixem de penalizar motoristas que cancelam corridas nessas localidades.
André Porto, diretor da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, ponderou sobre a possibilidade de tais restrições serem vistas como discriminatórias. Ele levantou a questão de como definir objetivamente essas áreas perigosas e alertou para o risco de estigmatizar comunidades, lembrando que 35% das corridas têm origem ou destino em áreas periféricas, atendendo a cerca de 2,2 milhões de motoristas e entregadores no país.
O deputado Helio Lopes (PL-RJ) propôs um diálogo mais próximo entre empresas e motoristas para encontrar soluções conjuntas. Por fim, Amanda Trentin, do Instituto Gerando Falcões, argumentou que a superação da pobreza e da extrema pobreza no Brasil exige mais do que a oferta de trabalho por aplicativo, sendo fundamental a melhoria das condições estruturais, como a habitação, para os 59 milhões de brasileiros em situação de pobreza e os 9,5 milhões em extrema pobreza.

