A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS iniciou nesta sexta-feira (27) a análise de seu relatório final, um documento extenso com cerca de 4 mil páginas que encerra sete meses de trabalhos. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou uma proposta de indiciamento para 216 indivíduos, incluindo parlamentares, ex-ministros, e gestores e ex-gestores da Previdência Social e da Dataprev.
A leitura integral do relatório está em curso e a expectativa é que ele seja votado ainda nesta sexta-feira. No entanto, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), indicou que os trabalhos podem se estender, inclusive pela madrugada, e que uma nova reunião pode ser convocada para o sábado (28), caso necessário e haja consenso entre os membros. Viana ressaltou a busca por equilíbrio e diálogo para a votação, com a possibilidade de discussão de destaques.
Entre os nomes citados no pedido de indiciamento, destacam-se o banqueiro Daniel Vorcaro; Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira (atualmente Ahmed Mohamad Oliveira), que atuou no governo Bolsonaro; e o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, do governo atual. A deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o ex-deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Weverton (PDT-MA) também foram mencionados.
O relatório descreve que os crimes investigados, como organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude eletrônica e prevaricação, eram executados de forma profissional e coordenada. A CPMI, instalada em agosto para apurar descontos irregulares em benefícios do INSS, tem seu prazo final em 28 de março. A reunião desta sexta foi marcada após o Supremo Tribunal Federal (STF) reverter uma decisão que permitia a prorrogação dos trabalhos da comissão.

