A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS chegou ao fim de seus sete meses de atividades sem a aprovação de um relatório final. O parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo figuras proeminentes e empresários, foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão em uma votação apertada de 19 a 12.
Após a rejeição, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou o encerramento dos trabalhos. Uma tentativa da base governista de apresentar um relatório alternativo, que pedia o indiciamento de 201 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, não foi levada a votação. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) teve seu pedido de questão de ordem para apreciar o texto alternativo negado pelo presidente da comissão, que também não indicou um novo relator para a leitura do parecer governista.
Apesar do encerramento formal, Carlos Viana assegurou que a investigação não será engavetada. Cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas a órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) informou que o documento da base governista será entregue à Polícia Federal.
A CPMI, que teve início em agosto de 2025, concentrou suas investigações em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, além de apurar supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados. O trabalho da comissão foi marcado por polêmicas recentes, incluindo acusações de vazamento de conversas pessoais obtidas de celulares apreendidos pela Polícia Federal.
O encerramento da CPMI ocorre logo após o STF ter rejeitado, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos da comissão, que deveria ter finalizado suas atividades no sábado (28).

