Em uma sessão solene na Câmara dos Deputados, realizada em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, mães de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) compartilharam suas batalhas diárias e a necessidade urgente de suporte. O evento, que aconteceu nesta terça-feira (31), trouxe à tona os desafios enfrentados não apenas pelas crianças, mas também por aquelas que as cuidam.
Bruna Esteves, enfermeira e mãe atípica, descreveu a intensa pressão física e mental a que está sujeita. “Para que uma criança autista possa progredir, é fundamental que sua mãe receba o suporte necessário”, afirmou, destacando a interdependência entre o bem-estar da criança e o da cuidadora.
Simone Andrade, presidente da Associação Desenvolve no Espectro, reforçou o apelo por atenção às mães. “Mães atípicas não devem ser romantizadas, mas sim cuidadas”, declarou, enfatizando a necessidade de políticas públicas que reconheçam e amparem essas mulheres.
Representantes de instituições especializadas em cuidados para crianças com TEA também se pronunciaram, apontando a insuficiência de apoio financeiro. A alta demanda por atendimento, segundo elas, é reflexo da incapacidade do Estado em prover os recursos médicos e terapêuticos necessários, resultando em longas filas de espera.
A carência de mediadores para auxiliar crianças com autismo nas escolas públicas foi outro ponto crítico levantado durante o debate. A falta desses profissionais dificulta a inclusão e o desenvolvimento educacional dos estudantes.
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ), que presidiu a sessão, anunciou a intenção de propor ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a criação de um período dedicado à votação de projetos relacionados ao autismo. “Que o mês de abril seja um momento para selecionarmos e aprovarmos, de forma consensual, as propostas legislativas que já estão maduras”, sugeriu.
Em outra frente, a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) defendeu a desvinculação da condicionalidade de renda para o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) por pessoas com autismo. Atualmente, a concessão do benefício exige a comprovação de uma renda familiar per capita inferior a R$ 405,25, um critério que, segundo ela, precisa ser revisto para garantir o acesso a quem realmente necessita.

