A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instaurada no Senado Federal para investigar a atuação e expansão de facções criminosas no Brasil, terá seus trabalhos encerrados sem prorrogação. A decisão, comunicada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ao relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), visa evitar a proximidade do calendário eleitoral.
O senador Vieira havia solicitado uma extensão de 60 dias para as investigações, mas Alcolumbre optou por manter a data original de encerramento, marcada para o próximo dia 14. Segundo o relator, a justificativa apresentada pelo presidente do Senado foi a inadequação de prorrogar os trabalhos em virtude do início da campanha eleitoral deste ano.
Em pronunciamento durante a sessão plenária, Alessandro Vieira expressou sua discordância com a medida, classificando-a como um “desserviço para o Brasil”. Ele lamentou que, com o fim iminente da CPI, investigações sobre “fatos de alta gravidade”, como a “infiltração criminosa” em órgãos públicos do Rio de Janeiro e o caso do Banco Master, não terão continuidade.
Vieira detalhou que a CPI apontava o Banco Master não como uma instituição financeira, mas como uma organização criminosa. Segundo o relator, o grupo estaria envolvido em lavagem de dinheiro, estelionato, corrupção e fraudes financeiras, com a participação de figuras proeminentes nos três Poderes da República. “Temos, ao mesmo tempo, a criminalidade violenta ocupando o território brasileiro… E temos aqui, nos escritórios, gabinetes de Brasília e da Faria Lima… a infiltração pela corrupção”, concluiu o senador.
Davi Alcolumbre, que presidia a sessão, não teceu comentários sobre as declarações do relator.

