O faturamento da indústria de transformação apresentou uma queda de 2% em julho, quando comparado a junho. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicam que juros elevados e a desaceleração econômica são os principais fatores por trás dessa retração.
No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o indicador registra uma redução de 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda no faturamento, outros indicadores do setor, como emprego e massa salarial, mostraram pouca variação, sugerindo um cenário de estabilidade geral.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destacou que a queda no faturamento foi o principal ponto a ser observado no mês. Ele explicou que, em geral, o quadro geral da indústria não apresentou grandes mudanças em relação ao mês anterior, com a maioria dos indicadores registrando variações mínimas.
Os principais indicadores divulgados pela CNI são:
- Faturamento: -2% em julho e -0,5% no acumulado do ano.
- Emprego: +0,2% em julho e -0,6% no ano.
- Massa salarial: +0,2% em julho e +0,6% no ano.
- Rendimento médio: estabilidade em julho e +1,2% no ano.
Em relação à produção, o percentual de horas trabalhadas na produção aumentou 0,2% em julho em comparação com junho. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) registrou uma leve alta, passando de 77,3% para 77,4%.
Contudo, no acumulado de janeiro a julho, os indicadores de produção mostram resultados negativos: horas trabalhadas caíram 1% e a utilização da capacidade recuou 0,8 ponto percentual.
A CNI reforça que esses resultados evidenciam o quadro de desaquecimento da atividade industrial ao longo do ano. Azevedo atribui a redução da demanda por produtos industriais à combinação de juros altos e ao maior endividamento das famílias, o que impacta diretamente nas horas trabalhadas, no faturamento e na utilização da capacidade instalada, com reflexos também sobre o emprego.

