Uma disputa de narrativas entre o Irã e os Estados Unidos sobre a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz gerou volatilidade nos mercados globais nesta segunda-feira (4). Enquanto o Irã nega veementemente que navios comerciais, especialmente petroleiros, tenham passado pela estratégica via marítima com escolta de guerra americana, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou o contrário, declarando o sucesso da travessia de duas embarcações comerciais americanas.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã classificou as alegações americanas como “infundadas e completamente falsas”, assegurando que nenhum navio comercial ou petroleiro cruzou o estreito nas últimas horas. Em contrapartida, o Centcom divulgou que navios de guerra americanos escoltaram com sucesso dois navios mercantes dos EUA através de Ormuz, como parte de um plano anunciado pelo presidente Donald Trump para garantir o comércio na região.
A tensão na região é agravada por relatos de ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. A Guarda Revolucionária iraniana alega ter impedido a passagem de navios com bandeira americana e israelense, e afirma ter atingido um navio de guerra dos EUA no Golfo de Omã, o que os militares americanos negam.
Em resposta à situação, o Irã apresentou um mapa detalhando novas áreas de controle marítimo sobre Ormuz, estabelecendo “novas fronteiras de controle” com linhas de segurança específicas. Um alto comandante iraniano, o major-general Ali Abdollahi, aconselhou os navios comerciais e petroleiros a evitarem a passagem sem coordenação com as forças iranianas para garantir sua segurança.
O Estreito de Ormuz é uma rota vital, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. A incerteza sobre sua segurança levou a um aumento de 5% no preço do barril de petróleo Brent, que ultrapassou os US$ 114 dólares. Donald Trump, por sua vez, ameaçou o Irã com “firmeza” caso a navegação seja impedida, enquanto autoridades iranianas insistem que a reabertura do estreito só seria possível por meio de negociações que encerrem conflitos regionais.

