Em meio às celebrações de 30 anos das urnas eletrônicas no Brasil, uma pesquisa revela que mais de 45% das notícias falsas disseminadas em eleições passadas tinham como alvo o sistema de votação eletrônico. O estudo, realizado pelo Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, analisou milhares de conteúdos desinformativos, destacando a persistência de narrativas que questionam a segurança e a integridade das urnas.
Os dados indicam que as urnas eletrônicas foram o principal alvo de desinformação, superando conteúdos voltados contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades (27,1%), teorias de fraude na apuração (21,8%) e desinformação sobre regras eleitorais (15,4%). Exemplos comuns de fake news incluem alegações sobre atrasos no botão de confirmação ou a suposta preenchimento automático de votos.
Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, explica que essas narrativas exploram a falta de conhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema. “As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação”, afirmou Salvador. Ela ressalta que elementos visíveis da urna são distorcidos para gerar desconfiança, aproveitando-se do fato de que o contato com a tecnologia ocorre apenas a cada dois anos, durante a votação.
O objetivo da pesquisa foi mapear as fontes de desconfiança no processo eleitoral e desenvolver estratégias para combater a desinformação nas eleições de 2026. “Queríamos entender em que exatamente as pessoas deixaram de acreditar quando falam das eleições”, disse Salvador. O estudo analisou 3.259 conteúdos, dos quais 716 foram selecionados para análise aprofundada, confirmando que 326 (mais de 45%) continham ataques às urnas eletrônicas.
O Pacto pela Democracia, uma coalizão com mais de 200 organizações da sociedade civil, busca defender o Estado Democrático de Direito e combater a desinformação eleitoral. Paralelamente, pesquisas recentes mostram uma confiança oscilante nas urnas. Um estudo da Quaest em fevereiro deste ano indicou que 53% dos brasileiros confiam no sistema, enquanto um levantamento anterior do Datafolha em 2022 apontava 82%.
A confiança varia entre faixas etárias e níveis de familiaridade com o sistema. Salvador enfatiza a importância de tornar o processo de votação mais compreensível. “Isso mostra a importância de tornar mais compreensível o caminho do voto, desde o momento em que o eleitor aperta a tecla até a totalização”, concluiu.

