As negociações entre os principais diplomatas dos países do Brics, incluindo o Irã e os Emirados Árabes Unidos, encerraram-se nesta sexta-feira (15) em Nova Delhi, na Índia, sem a emissão de uma declaração conjunta. A reunião de dois dias expôs as divisões internas do bloco, com a Índia, país anfitrião, emitindo apenas uma nota da presidência para registrar as divergências.
O Irã buscava uma condenação formal por parte do Brics à guerra liderada pelos Estados Unidos e Israel contra seu território, chegando a acusar os Emirados Árabes Unidos, aliados americanos, de envolvimento direto em operações militares contra o país. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, indicou que um membro do bloco vetou partes da declaração, sem especificar qual nação. Ele afirmou que o Irã atacou apenas bases militares americanas em território dos Emirados Árabes Unidos, expressando esperança de que a situação melhore até a próxima cúpula dos líderes do Brics.
A nota da presidência indiana reconheceu a existência de “opiniões divergentes entre alguns membros em relação à situação na região do Oriente Médio e da Ásia Ocidental”. Embora sem citar diretamente os Emirados Árabes Unidos, o comunicado mencionou que um membro apresentou reservas sobre a seção referente a Gaza. As posições dos membros variaram desde a necessidade de uma resolução rápida da crise, o valor do diálogo e da diplomacia, até o respeito à soberania e à integridade territorial.
O comunicado também destacou a importância de defender o direito internacional, garantir a segurança do comércio marítimo e proteger a infraestrutura e a vida civil. Os ministros do Brics lembraram que a Faixa de Gaza é parte inseparável do Território Palestino Ocupado e reafirmaram o direito do povo palestino à autodeterminação e a um Estado independente, com a unificação da Cisjordânia e Gaza sob a Autoridade Palestina.
A nota final ressaltou a importância da unidade do mundo em desenvolvimento para enfrentar desafios globais, descrevendo o Sul Global como um “motor de mudanças positivas”. O bloco, que atualmente conta com 11 países-membros e dez países-parceiros, incluindo o Brasil, enfrenta um cenário de crescentes tensões geopolíticas, dificuldades econômicas e pressões migratórias.

