O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de instabilidade nesta quarta-feira (27), com o dólar avançando para R$ 5,06 e a bolsa de valores, representada pelo Ibovespa, registrando quedas. A pressão sobre os ativos locais foi impulsionada pela divulgação da prévia da inflação (IPCA-15) acima das expectativas e pela desvalorização do petróleo no cenário internacional.
A moeda americana atingiu seu maior patamar de fechamento em oito dias, terminando o pregão a R$ 5,061, com uma valorização de 0,66%. Durante o dia, o dólar chegou a R$ 5,07, refletindo um fortalecimento global da moeda dos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores em relação ao ambiente econômico global. Fatores como as negociações entre EUA e Irã e a possibilidade de reabertura de rotas comerciais marítimas influenciaram a aversão ao risco em mercados emergentes, como o brasileiro.
No Brasil, a queda nos preços do petróleo impactou negativamente a entrada de moeda estrangeira, contribuindo para a alta do dólar. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,48%, fechando em 175.744 pontos, afetado principalmente pela performance das ações da Petrobras, que acompanharam o movimento de desvalorização do barril no exterior.
A divulgação do IPCA-15, que registrou alta de 0,62% em maio – superando as projeções do mercado – também pesou sobre o índice acionário. O resultado elevou o acumulado de 12 meses para 4,64%, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Essa leitura reforça a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) possa permanecer em patamares elevados por mais tempo, ou ter seu ciclo de cortes mais lento, o que tende a desestimular investimentos em ações.
As ações da Petrobras, com grande peso no Ibovespa, sentiram o impacto: os papéis ordinários caíram 1,62% e os preferenciais recuaram 1,43%. Paralelamente, os preços do petróleo Brent e do WTI sofreram quedas expressivas, com o Brent perdendo 4,57% e encerrando a US$ 92,25, enquanto o WTI recuou 5,55%, negociado a US$ 88,68. A desvalorização foi provocada por notícias, posteriormente desmentidas pela Casa Branca, sobre um possível acordo entre EUA e Irã para restabelecer o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, o que diminuiu as preocupações com o risco de interrupção no fornecimento global da commodity.

