Brasil e Suriname intensificarão as negociações para expandir o acordo comercial existente entre os dois países a partir do segundo semestre deste ano. O objetivo é destravar novas oportunidades de negócios e fortalecer os laços econômicos entre as nações vizinhas.
O aprofundamento da relação comercial foi um dos pontos centrais do encontro entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, que ocorreu em Brasília. Simons, a primeira mulher a chefiar o Suriname, com mandato até 2030, destacou a necessidade de superar a atual limitação do intercâmbio comercial.
“Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, foi de apenas 55 milhões de dólares, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito”, declarou Lula, ressaltando que a visita permitiu a aprovação de termos de referência para aumentar os fluxos comerciais.
Atualmente, o comércio bilateral é composto majoritariamente por exportações brasileiras, incluindo maquinários, produtos químicos e commodities. As futuras negociações visam facilitar o comércio e abranger novos setores, além de explorar o potencial em áreas como petróleo, minerais críticos e energia.
O Suriname tem se destacado pela descoberta de vastas reservas de petróleo offshore na Bacia da Guiana, um setor onde a Petrobras já colabora com a estatal surinamesa Staatsolie. Ambos os países reconhecem a oportunidade de cooperação em mineração sustentável e agregação de valor, indo além da simples exportação de matérias-primas.
A segurança alimentar também figura como um pilar importante na cooperação bilateral. O Brasil se propõe a auxiliar o Suriname no fornecimento de carnes e outros gêneros alimentícios. A cooperação técnica e científica, incluindo intercâmbios sobre agricultura familiar e sistemas agroflorestais sustentáveis, também foram formalizadas por meio de acordos.
A agenda da presidente surinamesa em Brasília incluiu visitas a instituições como a Embrapa e centros de referência em assistência social e habitação, buscando inspiração em programas sociais brasileiros para implementar no Suriname. A líder surinamesa enfatizou a importância da parceria com o Brasil para garantir o bem-estar da população e o desenvolvimento regional.
Ao todo, 13 acordos foram assinados, abrangendo áreas como segurança cibernética, cooperação policial, saúde pública e operações conjuntas na faixa de fronteira. Foi discutida ainda a ampliação das conexões marítimas e aéreas e o avanço do projeto “Anel das Guianas”, visando fortalecer a integração regional e o acesso ao mercado caribenho.

