A Colômbia, segunda nação mais populosa da América do Sul, prepara-se para ir às urnas neste domingo, 31, em um pleito que definirá seu próximo presidente para o mandato de 2026 a 2030. A disputa, com 14 candidatos na disputa, aponta para um segundo turno em 21 de junho, com três nomes despontando nas pesquisas.
Os principais concorrentes são Ivan Cepeda, filósofo de esquerda e defensor dos direitos humanos, alinhado ao atual presidente Gustavo Petro; Paloma Valencia, senadora da direita tradicional e aliada do ex-presidente Álvaro Uribe; e Abelardo de La Espriella, advogado e empresário que se apresenta como novato na política, com admiração por líderes como Javier Milei e Donald Trump.
O resultado desta eleição poderá redefinir a política externa colombiana, com a possibilidade de um estreitamento de laços com os Estados Unidos ou a continuidade da orientação do Pacto Histórico, bloco que levou Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país, ao poder. Petro, por sua vez, não pode concorrer à reeleição, conforme a legislação colombiana.
Matheus Petrelli, pesquisador no Observatório Político Sul-Americano (OPSA) da Uerj, destaca a importância estratégica da Colômbia na região, com acesso aos oceanos Pacífico e Caribe. “A eleição do sucessor de Petro representa a manutenção da proximidade com o Brasil em pautas ambientais e sociais, enquanto a eleição de Paloma ou Abelardo indicaria uma retomada do vínculo mais estreito com os EUA”, explica.
Até a ascensão de Petro em 2022, a Colômbia era reconhecida como uma das principais aliadas de Washington na América do Sul.
Ivan Cepeda, visto como forte candidato ao segundo turno, carrega o legado político de seu pai, o senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994. Cepeda possui uma trajetória própria como legislador e tem sido uma voz ativa contra figuras proeminentes da direita, como o ex-presidente Álvaro Uribe, especialmente no que diz respeito ao escândalo dos “falsos positivos”.
Este escândalo, que envolveu a execução de cerca de 7,8 mil pessoas entre 2002 e 2008 e a apresentação delas como guerrilheiros mortos em combate, chocou a opinião pública colombiana. Uribe, figura central da direita, foi condenado em primeira instância por fraude processual e suborno de testemunhas no caso, embora posteriormente absolvido em segunda instância. Cepeda foi um dos responsáveis por reunir evidências contra o ex-presidente.
Paloma Valencia, candidata do Centro Democrático, representa a ala mais conservadora, declarando-se seguidora de Uribe e defendendo uma postura firme contra grupos armados, sem diálogo. Sua oposição aos acordos de paz com as Farc em 2016 reforça seu posicionamento.
O advogado Abelardo de La Espriella surge como um nome disruptivo, com uma plataforma focada no endurecimento da segurança e na repressão ao crime. Ele se inspira em líderes de direita como Javier Milei e Donald Trump, buscando capitalizar o descontentamento com a política tradicional.
O debate sobre a segurança e a busca pela “paz total”, proposta pelo governo Petro, domina a agenda eleitoral. Em um país marcado por décadas de conflitos, a violência persiste, como evidenciado por recentes confrontos entre o ELN e forças estatais, e entre dissidências das Farc. Enquanto a direita e a extrema-direita priorizam a solução militar, a proposta de Cepeda, alinhada ao governo atual, sugere uma abordagem mais abrangente, combinando repressão e negociação.

