Registros digitais obtidos pela Polícia Federal (PF) a partir do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelaram uma série de mensagens atribuídas a ele e direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo foi divulgado em reportagens sobre a investigação da Operação Compliance Zero.
As conversas analisadas pela PF abrangem o período entre o fim de outubro e novembro de 2025, antes da prisão de Vorcaro. Segundo os registros, as mensagens continham pedidos relacionados à tentativa de reverter medidas que, de acordo com o banqueiro, poderiam prejudicar um acordo envolvendo seus interesses.
Em uma mensagem enviada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro teria escrito a Moraes: “Ministro, seu legado pro Brasil será eterno. Todo sacrifício valerá a pena”. Na sequência, teria pedido ajuda para barrar o que classificou como uma “sacanagem de pessoas que não querem que o projeto dê certo”.
Em 15 de novembro de 2025, um dia antes de sua prisão, o banqueiro teria questionado: “Ministro, não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”. Na mesma conversa, segundo os registros divulgados, afirmou: “É muita sacanagem o que estão fazendo”.
Ainda nessa troca de mensagens, Vorcaro teria feito outro pedido: “Te peço, por favor, que impeça seus subordinados de continuar praticando ações que estão prejudicando o acordo”. O conteúdo foi analisado pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre possíveis tentativas de interferência.
Em 16 de novembro de 2025, véspera da prisão, o banqueiro teria enviado uma nova mensagem ao ministro, perguntando: “Ministro, alguma leitura de cenário?”. Em seguida, teria questionado: “Será que conseguimos conter essa situação com Andrei?”.
Segundo os relatórios da PF, os nomes mencionados nas mensagens fariam referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A divulgação do conteúdo provocou questionamentos nos meios jurídico e político, sobretudo pela menção a autoridades de alto escalão e pela tentativa atribuída ao banqueiro de buscar uma solução para impedir ações que poderiam afetar seus interesses.
O gabinete de Alexandre de Moraes teria afirmado anteriormente que os registros apresentados não correspondiam a mensagens direcionadas ao ministro. A Polícia Federal, por sua vez, e reportagens que divulgaram o caso sustentam que Moraes era o destinatário das interações.
O caso segue em análise. O ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao Banco Master, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o teor das mensagens e os elementos apresentados pela investigação.

