O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de forte valorização nesta terça-feira, com o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, fechando em alta de 1,3%. O índice atingiu 179.722,48 pontos, seu nível mais alto em quase quatro meses, impulsionado pela alta expressiva do petróleo no cenário internacional e por tensões geopolíticas globais.
A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã teve um efeito significativo nos ativos brasileiros. O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 4,6%, alcançando US$ 94,65 por barril, enquanto o WTI (Texas) subiu 5,2%, a US$ 90,22. Essa valorização da commodity beneficiou diretamente as ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa, cujos papéis preferenciais e ordinários registraram altas de 4,11% e 4,14%, respectivamente.
A valorização do petróleo também repercutiu positivamente em outras empresas do setor energético. Além disso, o mercado reagiu ao anúncio da Petrobras sobre um reajuste de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV). Um outro dado relevante foi o recorde de produção de petróleo no Brasil em julho, alcançando 4,5 milhões de barris por dia, segundo a ANP.
No mercado de câmbio, o dólar comercial apresentou queda de 0,54%, fechando a R$ 5,153, com a moeda acumulando uma baixa de 6,12% no ano. Apesar de uma alta inicial para R$ 5,20 após a divulgação do PIB brasileiro do segundo trimestre, que mostrou desaceleração econômica e reforçou expectativas de cortes na Selic, o dólar perdeu força ao longo do dia. A perspectiva de juros menores no Brasil pode reduzir a atratividade para investidores estrangeiros, mas a valorização do petróleo e o desempenho de outras moedas emergentes ajudaram a puxar o dólar para baixo.
A alta da bolsa brasileira contrastou com o cenário em Wall Street, onde o S&P 500 registrou queda de 0,71%. A saída líquida de capital estrangeiro do mercado acionário brasileiro em agosto se aproximou de R$ 18,6 bilhões até o dia 28, evidenciando um movimento de cautela por parte dos investidores internacionais, apesar do desempenho positivo da bolsa brasileira.

