Nesta quinta-feira (3/9), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o ministro Alexandre de Moraes para prestar solidariedade em meio à crise provocada pela divulgação de informações sobre conversas entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo apuração do Metrópoles, Cármen afirmou que não concordava com a exposição a que o colega vem sendo submetido após o vazamento e a posterior retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou as conversas.
A manifestação, porém, não significa que Cármen Lúcia votará a favor de Moraes caso o assunto seja levado ao plenário do Supremo. De acordo com o Metrópoles, a ministra tem indicado que não antecipa seus votos e que somente se posiciona após analisar o conteúdo dos processos.
O nome de Moraes surgiu no caso depois que o relator do inquérito relacionado ao Banco Master, ministro André Mendonça, determinou que a Polícia Federal identificasse o interlocutor de Vorcaro em diversas conversas. O número de telefone foi associado a Moraes, mas as respostas enviadas pelo ministro ao banqueiro não aparecem no material porque teriam sido encaminhadas por meio do recurso de visualização única.
Com isso, é possível identificar o conteúdo das mensagens enviadas por Vorcaro ao interlocutor. A divulgação do material envolvendo Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em um relatório produzido com a anuência de Mendonça aprofundou a crise envolvendo o Supremo, a PGR e a cúpula da Polícia Federal.
O Metrópoles já havia revelado um conflito entre André Mendonça e Andrei Rodrigues. Segundo a publicação, o ministro teria levantado suspeitas de obstrução à Justiça por parte do diretor-geral da PF e chegado a ameaçar prendê-lo.
Fachin avalia levar caso ao plenário
O presidente do STF, Edson Fachin, avalia se levará ao plenário, na próxima semana, uma votação para que os ministros decidam quais serão os próximos passos do caso. O pedido foi apresentado por André Mendonça.
Atualmente, o Supremo possui dez ministros, de um total de 11 cadeiras. A vaga restante ainda não foi preenchida pelo presidente Lula.
O plenário poderá discutir, entre outras questões, se Moraes deve ser investigado ou se os dados utilizados pela Polícia Federal foram obtidos de forma ilegal. Segundo o entendimento de alguns ministros, o acesso às informações dependeria de autorização do próprio Supremo.
Conforme o Metrópoles, a estratégia defendida nos bastidores seria permitir que Fachin deixe o inquérito ser concluído antes de submeter o caso à votação. Dessa forma, a análise pelo plenário poderia ficar para depois das eleições.
Também haveria uma tentativa de evitar uma reunião presencial do plenário sobre o assunto, o que colocaria os ministros debatendo a crise diante das câmeras.
Nesse cenário, a posição de Cármen Lúcia passou a ser apontada como um possível voto decisivo em uma eventual votação.
Outros ministros também aparecem relacionados a Vorcaro
Fachin vem sendo questionado sobre o motivo de o foco estar concentrado em Moraes, enquanto outros ministros do STF também já apareceram relacionados a Daniel Vorcaro.
Entre os nomes citados estão Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, sendo que os dois últimos teriam aparecido por meio de seus filhos.
Agora, o próprio André Mendonça também passou a ser mencionado. O ministro recebeu Vorcaro em seu escritório particular, e não em seu gabinete, para tratar, segundo o próprio Mendonça, de um assunto relacionado a uma votação no Supremo. A reunião, contudo, não teria constado na agenda oficial do ministro.
Diante desse cenário, o STF poderá ter de analisar a situação envolvendo, ao menos, cinco de seus ministros.
*Com informações do Metrópoles

