Nesta quinta-feira (3/9), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que inclua o ministro André Mendonça no inquérito das fake news. Em decisão assinada na noite desta quinta, Moraes atribuiu ao colega suspeitas relacionadas à condução das investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Segundo Moraes, Mendonça teria cometido, em tese, três tipos de irregularidades: improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. As suspeitas mencionadas na decisão estão relacionadas às investigações sobre o escândalo de descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no âmbito da Operação Sem Desconto, e ao caso envolvendo o Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero.
A decisão ocorre após a exposição de conversas de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e representa mais um capítulo da crise interna envolvendo ministros do Supremo.
Agora, caberá a Edson Fachin decidir se André Mendonça será ou não incluído no inquérito das fake news.
Moraes cita suposto direcionamento de investigações
Na decisão, Moraes afirma que Mendonça teria direcionado as investigações por “motivos pessoais” e “políticos”, inclusive com a suposta indicação antecipada de medidas cautelares que seriam posteriormente apresentadas pela Polícia Federal.
Como parte da argumentação, Moraes cita possíveis vazamentos de informações para a imprensa. Entre os exemplos mencionados está uma publicação da revista Piauí, de 8 de agosto de 2026, que teria divulgado uma imagem extraída do celular do senador Weverton Rocha.
Segundo Moraes, a imagem não fazia parte dos autos. O ministro afirma que ela havia sido inserida em uma minuta de informação de Polícia Judiciária por uma servidora e posteriormente retirada.
Moraes também questiona a participação de Mendonça nas negociações de acordos de delação premiada relacionados às duas operações. Segundo ele, a própria Polícia Federal teria apontado a participação efetiva do ministro nas tratativas de colaboração premiada da Operação Sem Desconto e da Operação Compliance Zero.
Ministro acusa Mendonça de atuar como juiz e investigador
Outro ponto destacado por Moraes é a alegação de que Mendonça teria atuado simultaneamente como julgador e investigador.
Na decisão, Moraes cita um relatório da Polícia Federal segundo o qual o resultado prático da atuação de Mendonça seria a atuação do ministro como “investigador”.
Moraes também acusa o colega de ter determinado a produção de provas que considera ilegais contra ele.
Segundo a decisão, Mendonça teria direcionado uma investigação para um alvo que, na avaliação de Moraes, não estaria sob sua competência jurisdicional. O ministro afirma ainda que o colega teria determinado, de ofício, uma diligência policial para produzir provas contra ele.
Moraes sustenta que a diligência teria sido determinada sem que Mendonça assinasse a decisão judicial e sem que a comunicação fosse realizada pelas vias consideradas legais. Ele afirma ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) teria sido impedida de tomar conhecimento da medida.
Relatórios citam outros ministros do STF
Ao final da decisão, Moraes também afirma que relatórios de inteligência da Polícia Federal que teriam sido direcionados por Mendonça fazem referência a outros ministros do Supremo.
Entre os nomes citados estão Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, todos integrantes da Corte.
A decisão de Moraes agora será submetida à análise de Edson Fachin, que deverá decidir sobre a eventual inclusão de Mendonça no inquérito das fake news.
Com informações da CNN e do SBT News.

