O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (9/9), a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao chamado “caso Master” e cobrou mais transparência sobre as apurações. Em mensagem publicada na rede social X, o presidente afirmou que o Brasil precisa de explicações diante do que classificou como “o maior crime financeiro da história do Brasil”.
O caso Master é uma investigação que tem como foco fatos relacionados ao extinto Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Inicialmente centrada em suspeitas de irregularidades financeiras, a apuração ganhou dimensão política e institucional ao envolver autoridades.
Na publicação, Lula também disse haver uma “crise institucional” que atingiu o Poder Judiciário e criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” de informações. Segundo ele, esses vazamentos têm impacto sobre a disputa eleitoral — o petista concorre ao quarto mandato. “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu o presidente.
Lula afirmou ainda ser necessária “mais transparência e não vazamentos seletivos” e citou a divulgação de informações da Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Ricardo Lewandowski, como exemplo a ser seguido. A Operação Spoofing foi uma investigação da Polícia Federal sobre a invasão de celulares de autoridades públicas. O caso ganhou relevância política porque mensagens obtidas pelos invasores vieram a público e alimentaram questionamentos sobre a condução da Operação Lava Jato.
Ao final da mensagem, o presidente defendeu a abertura total das informações das investigações. “É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.
A manifestação de Lula ocorre em meio à maior crise interna do STF dos últimos anos, desencadeada por disputas em torno do caso Master e da atuação da Polícia Federal.
Cronologia
O embate ganhou força após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantar questionamentos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, alvo das investigações. Em resposta, Moraes determinou a abertura de apurações para investigar a atuação de Mendonça no caso.
A disputa escalou com a divulgação de relatórios da Polícia Federal que expuseram o conflito entre os dois ministros. A crise atingiu diretamente a cúpula da Polícia Federal quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, além de suspender relatórios de inteligência produzidos pela PF.
A medida foi contestada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que recorreu ao Supremo alegando que a decisão de Mendonça invadia prerrogativas do presidente. Na manhã desta quarta-feira (9/9), o ministro Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos. Para Dino, o afastamento comprometia investigações em andamento e não poderia ter sido determinado da forma como ocorreu.
Com informações do G1.

