A crise no Supremo Tribunal Federal pode representar um sério risco para a campanha de Lula nas próximas eleições. A avaliação é de Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria, em entrevista ao WW nesta terça-feira (8/9).
Gabiati analisou os números da pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta terça-feira (8/9) e ponderou que os movimentos observados nas intenções de voto — tanto a piora relativa de Lula quanto a melhora de Flávio — estão dentro da margem de erro. “Não há movimentos repentinos na pesquisa, mas sim uma consolidação de um movimento que já vinha se dando. Fica difícil, a partir dos dados que a pesquisa nos traz, confirmar se há algum tipo de ônus específico para Lula”, afirmou.
Apesar da cautela com os números, o especialista destacou que a combinação de fatores — um governo que ainda demora a reagir, Fachin enfrentando dificuldades para comandar o Supremo e pesquisas reforçando algum tipo de problema na campanha petista — resulta na sensação de um momento negativo para Lula. “Certamente, se esse momento político perdurar, se esse confronto do Supremo continuar sem solução, Lula eventualmente poderá ser prejudicado”, declarou Gabiati.
Proximidade com o STF
O diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, destacou que o governo está vinculado ao Supremo em diversas frentes, desde questões fiscais e do decreto do IOF até a desoneração da folha, emendas parlamentares e investigações envolvendo o PT da Bahia. “O PT da Bahia está nas mãos do Supremo, que pode apertar um botão a qualquer momento para acelerar essa investigação”, disse.
Rittner apontou que a proximidade entre o governo e o Supremo passou a ser vista como um problema eleitoral. Ele lembrou que Alexandre de Moraes foi aplaudido de pé em cerimônia no Palácio do Planalto em 2023, situação que se repetiu em 2025.
O jornalista observou ainda que Lula, o Palácio do Planalto e a campanha petista teriam cerca de 25 a 26 dias, além de mais três semanas de segundo turno, para se desvencilhar da associação com Moraes e preservar a imagem do presidente junto ao eleitorado. “Tem gente na Esplanada dos Ministérios aconselhando explicitamente o presidente a pedir ao Fachin para levar ao plenário, para fazer uma concertação para que haja uma investigação contra Moraes, o encerramento do inquérito das fake news e a retirada da relatoria dos casos Master e INSS de André Mendonça”, afirmou Rittner.
Segundo o analista, cogita-se ainda que o próprio Lula passe a defender mandatos para ministros do STF — de 8, 10 ou 12 anos —, de modo a evitar a percepção de que um grupo do Supremo se beneficiaria de eventuais novas indicações caso ele seja reeleito.

