A Polícia Federal entregou, na manhã desta segunda-feira (14/9), cópia integral dos dados de celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendido na Operação Compliance Zero. A ação atende a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Decano da Corte, Gilmar Mendes também recebeu as informações.
O aparelho em questão é um iPhone 17 Pro apreendido pelos investigadores em 18 de novembro de 2025, dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. No total, são oito telefones periciados no inquérito.
Ao solicitar os dados da PF, Zanin afirmou que não há hierarquia no STF e exigiu acesso irrestrito aos dados do celular antes da análise do relatório sobre mensagens envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O prazo da entrega estava agendado para as 23h do último domingo (13/9). A Polícia Federal, no entanto, enviou a cópia nesta manhã. Gilmar Mendes deu ordem semelhante à PF anteriormente. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes ainda não confirmou se também recebeu os dados.
Também no domingo, André Mendonça havia enviado ofício sustentando que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do celular “somente contribuiriam para tumultuar o julgamento” e colocariam “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Crise no Supremo
- O STF vai decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser alvo de investigação por troca de mensagens com Daniel Vorcaro.
- Moraes defende que a apuração seja aberta e disponibilizada a todos os ministros antes do julgamento.
- O processo reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.
- Mendonça retirou o sigilo de dezenas de procedimentos depois de cobranças da PGR e de ministros do STF por maior acesso ao material das investigações do Master.
- Moraes criticou a divulgação “seletiva” de Mendonça e pontuou que documentos e arquivos digitais continuavam fora do conjunto disponibilizado aos integrantes da Corte.
- Cristiano Zanin determinou que a PF enviasse os dados do celular de Vorcaro aos magistrados.
- André Mendonça reforçou a Fachin sua posição contrária ao compartilhamento de todo o material.
- A PGR se manifestou a favor da quebra do sigilo da troca de mensagens.
Quebra de sigilo
Na manhã desta segunda-feira (14/9), a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da quebra do sigilo sobre rede de pagamentos de Daniel Vorcaro. O posicionamento foi enviado ao presidente do STF, Edson Fachin.
A manifestação atende a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou a retirada do sigilo dos inquéritos antes do julgamento agendado para esta terça-feira (15/9) — que pode resultar na abertura de investigação contra o magistrado.
Fachin é o responsável pela condução do caso. Em resposta ao presidente da Corte, o vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand, afirmou que não havia conhecimento da existência do processo e que ele sequer aparece visível à PGR no sistema do Supremo. Segundo a PGR, o conteúdo deve ser removido do sigilo para que os integrantes da Corte possam analisar a totalidade dos fatos antes do julgamento de Moraes.
Alvo da PF
Alexandre de Moraes tornou-se alvo de relatório da Polícia Federal após a identificação de 52 mensagens com Vorcaro. O ministro e o empresário teriam conversado principalmente em novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão do banqueiro.
Vorcaro teria procurado Moraes porque estava preocupado com o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master. O material também envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, e outras autoridades.
O material foi produzido por determinação de André Mendonça e provocou crise na Suprema Corte, além da troca de acusações entre os ministros. Na semana passada, Edson Fachin convocou sessão plenária para esta terça-feira (15/9) a fim de discutir o relatório.
*com informações do Metrópoles

