Nesta segunda-feira (14/9), o subprocurador-geral da República André de Carvalho Ramos, escolhido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar nas ações relacionadas ao Caso Master, mantém relação profissional com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Ramos e Moraes são atualmente docentes responsáveis por uma disciplina do programa de pós-graduação stricto sensu em Direito da Universidade de São Paulo (USP), segundo informações da própria instituição.
Os dois são responsáveis pela disciplina “Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento”, criada em maio de 2026 e com duração de 120 horas-aula.
A disciplina também tem como docente responsável o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Ramos Tavares. De acordo com a USP, a criação da matéria se justifica pela “complexidade dos fenômenos que emergem da interação entre as novas tecnologias e a ordem jurídica” e pela necessidade de revisitar “categorias e institutos tradicionais”.
Segundo a universidade, as aulas também abordam os impactos do ambiente digital sobre a democracia representativa, incluindo a manipulação algorítmica de eleitores, a disseminação de desinformação e o fortalecimento de movimentos populistas extremistas por meio das redes sociais.
“A democracia representativa também se vê profundamente desafiada pelo ambiente digital, especialmente diante da manipulação algorítmica do eleitor, da proliferação de desinformação e do fortalecimento de movimentos populistas extremistas por meio das redes sociais”, afirma a USP. Para a instituição, a proteção da igualdade e da liberdade eleitoral exige respostas específicas do ordenamento jurídico, o que dá à disciplina relevância para debates contemporâneos do direito constitucional e eleitoral.
Ramos e o Caso Master
Ramos foi escolhido na sexta-feira (11/9) para atuar ao lado de Paulo Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, nas ações judiciais e extrajudiciais relacionadas ao Caso Master, no qual Moraes é citado.
No despacho, assinado pelo próprio Gonet, André Ramos foi autorizado a atuar junto ao Supremo nos processos relacionados às investigações sobre a fraude envolvendo o Master, comandado por Daniel Vorcaro, dono do banco.
A escolha foi vista como uma tentativa de Gonet de reduzir a pressão sobre si após seu nome aparecer em conversas do banqueiro reveladas em relatório da Polícia Federal, que identificou autoridades que mantinham relação com Vorcaro.
O principal interlocutor do banqueiro, entretanto, era o próprio Alexandre de Moraes. O STF deve decidir nesta terça-feira (15/9) se autoriza a abertura de investigação formal contra o ministro em razão das conversas com o dono do Master.
*com informações do Metrópoles

