O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24/9), a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, que investiga a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. São cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e outros seis estados.
Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. O dono da Entre Investimentos, empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, também é alvo. O Banco Genial esclareceu que Freixo deixou a instituição em maio e que colabora com as investigações.
Freixo firmou termo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início deste mês. Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), a empresa teria sido usada para os repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Distribuidora de combustíveis
O objetivo da operação, segundo o MPSP, é desvendar o uso de estruturas complexas de lavagem de dinheiro para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, uma das maiores do país. Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, viabilizar a aquisição da distribuidora.
Conforme identificado pela Operação Carbono Oculto, a primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Os operadores do esquema eram chefiados pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Os dois estão foragidos desde a primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado.
O que diz o Banco Genial
Em nota ao Metrópoles, o Banco Genial esclareceu que Humberto Tupinambá “não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026”. “Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição, foram fornecidas pela própria Genial ao Gaeco-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao Coaf”, diz o banco.
O Genial informou ainda que, ao tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas adicionais de governança e controle, “incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição”. Após a deflagração da Carbono Oculto, o banco diz ter renunciado à administração do Fundo Radford e mantido postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
O Metrópoles também busca a defesa dos demais envolvidos. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.
A investigação do MPSP tem o apoio da Receita Federal, da Secretaria de Fazenda de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado e das polícias Civil e Militar.

