A lobista Roberta Luchsinger organizou uma viagem para a família de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, à Escandinávia para acompanhar a aurora boreal em janeiro de 2025. Segundo relatório da Polícia Federal (PF), o custo total da excursão foi de R$ 1.868.179,66. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira (29/09).
A viagem passou por Suécia, Finlândia e Suíça e contou com mordomo e chef. De acordo com a PF, o custo estimado foi de R$ 266,8 mil por pessoa. O orçamento incluía passeios de esqui por seis dias consecutivos e hospedagem no hotel de luxo HUUS Gstaad.
Roberta preparou os roteiros em parceria com a agência TTW, que pertence a Marina Mantega, filha de Guido Mantega, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff. A lobista pagou R$ 339 mil de sinal à agência, que se apresenta como especializada em “destinos turísticos de alto luxo”.
Roberta também pediu à agência que fretasse um jatinho para levar Lulinha, a mulher e os filhos da Suíça a Estocolmo, na Suécia, ao custo de R$ 220,8 mil. A lobista estava acompanhada da filha na excursão.
Investigações
A PF investiga Lulinha em três inquéritos, que apuram suposto tráfico de influência e corrupção em favor de empresas junto ao governo federal. As investigações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do fim de julho. O ministro André Mendonça é relator de duas delas, e o ministro Flávio Dino, da terceira.
Lulinha entrou na mira das apurações depois que veio à tona sua proximidade com Roberta Luchsinger. Em dezembro do ano passado, a lobista foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela teve o celular apreendido pela PF. Segundo relatórios da corporação, a empresária teria trabalhado para o “Careca do INSS” e seria possível operadora financeira e política do esquema de fraudes.
Roberta foi interrogada pela PF em maio deste ano, em uma tentativa de esclarecer sua conexão com Antunes e Lulinha. Ela admitiu ter apresentado o filho do presidente ao lobista e, por meio de sua defesa, repetiu a tese de que a viagem a Portugal tratava-se de uma busca por negócios.
Outro lado
A CNN entrou em contato com as defesas de Roberta Luchsinger e de Lulinha, mas ainda não obteve retorno. A agência TTW também não respondeu. O espaço segue aberto.

