A Polícia Federal (PF) manteve para esta quarta-feira (30/9) os depoimentos de Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro, ambos presos desde março. Os interrogatórios terão como foco principal o funcionamento dos grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos”, investigados pela corporação.
Segundo apuração do analista de Segurança Pública Elijonas Maia, os depoimentos estão marcados em horários distintos: Daniel Vorcaro será ouvido às 14h, por videoconferência, e Henrique Vorcaro, às 16h. “Vorcaro está preso em Brasília, em uma ala do complexo da Papuda, a Papudinha, e o pai dele em Minas Gerais. Desde março os dois estão presos”, contextualizou Elijonas durante o Bastidores CNN desta terça-feira (29/9).
As oitivas ocorrem após dois adiamentos. Há cerca de duas semanas, as defesas de Daniel e Henrique Vorcaro alegaram não ter acesso aos autos do processo e reclamaram formalmente à PF. Na última sexta-feira (25/9), segundo a defesa de Daniel Vorcaro, os advogados tiveram acesso integral às mensagens e ao conteúdo da investigação sobre “A Turma”, o que permitiu a preparação adequada dos clientes.
A expectativa dos delegados é de que, com a conclusão dos interrogatórios, seja possível finalizar ao menos um dos inquéritos em andamento: justamente o relacionado a “A Turma” e a “Os Meninos”.
O que a PF quer esclarecer
Segundo as informações apuradas, a PF aponta “A Turma” como um braço armado de Daniel Vorcaro voltado para intimidar adversários e atacar jornalistas. “Esse inquérito levou à prisão de Daniel Vorcaro, do pai dele, Henrique Vorcaro, e também de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que logo depois atentou contra a própria vida na prisão e faleceu”, explicou Elijonas.
Há ainda a suspeita de que o grupo tenha acessado sistemas da PF, do Ministério Público Federal e até da Interpol para obter, antecipadamente, informações sobre investigações em curso contra Daniel Vorcaro e repassar dados sigilosos a ele. Mensagens de WhatsApp, nas quais se fala inclusive em “quebrar os dentes de um jornalista”, fazem parte do conjunto de evidências analisadas.
Além do funcionamento dos grupos, a PF pretende questionar Daniel Vorcaro sobre sua rede de contatos, de quem recebia informações e para quem as repassava, e sobre a suspeita de vazamento de informações da operação de março.
“Quando ele foi alvo de busca e apreensão no início de março, a Polícia Federal tinha um mandado para bloquear judicialmente bilhões de reais na conta dele, mas não encontrou nenhum valor”, relembrou Elijonas. Na semana seguinte, ao cumprir medida judicial contra o pai, a PF localizou R$ 2 bilhões na conta de Henrique Vorcaro. “Não deu certo, a polícia conseguiu identificar e logo depois houve o bloqueio bilionário da conta do pai”, afirmou o analista.

