A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não comparecer ao último debate eleitoral do primeiro turno, a ser realizado pela TV Globo nesta quinta-feira (1º/10), gerou preocupação entre aliados e interlocutores próximos à sua campanha. A partir da ausência do petista, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença e pretende se mostrar como candidato com propostas sólidas e perfil moderado, mirando o eleitor indeciso, além de se preparar para responder perguntas incômodas à sua campanha.
Além de Flávio, estão confirmados para o debate os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
Preocupações da campanha de Lula
A principal preocupação dos aliados do presidente reside no chamado “campo vazio”. A emissora já anunciou que, conforme as regras do evento, o espaço destinado a Lula permanecerá vago durante o debate. Para os interlocutores da campanha, isso representa exposição negativa, já que os adversários poderão explorar livremente a ausência, afirmar que o candidato se recusou a prestar contas à população e até chamá-lo de “fujão”. Além disso, Lula tende a ser criticado ao longo de todo o programa sem ter oportunidade de apresentar qualquer contraponto.
No lugar do debate, Lula confirmou participação em entrevista em formato de podcast. A avaliação interna é de que o alcance desse formato é significativamente menor do que o de uma transmissão em TV aberta, especialmente após uma novela, que tende a atingir o público mais idoso, segmento que os aliados consideram estratégico.
O aconselhamento de parte da campanha era para que o presidente comparecesse ao debate, mas pesou para a decisão a avaliação pessoal do petista de que o modelo de debate no Brasil “caducou”. Lula reclama que, entre uma fala e outra, não há tempo para se defender de ataques de outros candidatos, o que se agrava no cenário em que todos os outros participantes são de direita e centro-direita. O presidente afirma ainda que os adversários utilizam o espaço somente para gerar “cortes” para redes sociais.
Objetivos de Flávio no debate
Mesmo sem a presença de Lula e embora os demais adversários sejam de direita, há expectativa de que Flávio seja questionado sobre pontos incômodos para sua campanha. A avaliação é de que os outros candidatos podem explorar polêmicas recentes, como a relação com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, o pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, e questões mais antigas, como as suspeitas sobre rachadinhas em seu gabinete no Rio de Janeiro.
O treinamento para responder a esses assuntos virou uma constante ao longo da campanha, mas foi reforçado nos últimos dias. A intenção é mostrar que ele não tem nada a esconder e que poderá explicar qualquer questionamento. Para a campanha, transmitir confiança e segurança será fundamental.
Outro objetivo de Flávio é esclarecer que nunca teve a pretensão de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o que poderia impactar nos votos de católicos e evangélicos, para mais ou para menos. Na quarta-feira (30/9), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu manter fora do ar todas as publicações que vinculem diretamente o candidato à fake news sobre a santa.
Com a participação do senador, a campanha ainda busca convencer o eleitor de que ele é um candidato com programa de governo robusto. A avaliação é de que a apresentação de propostas dependerá muito do ritmo do debate e do comportamento dos adversários. Ainda assim, a ideia é reforçar propostas em segurança pública, economia e proteção das mulheres.

