Uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (1º/10), em Manaus, investiga supostas irregularidades eleitorais envolvendo o uso da estrutura da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e recursos não declarados durante a campanha eleitoral. Entre os locais das diligências estão a sede da pasta e a residência do ex-secretário de Segurança Pública, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida.
Durante o cumprimento dos mandados, cerca de R$ 100 mil em espécie foram apreendidos na residência de um dos alvos da operação. Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) não informou a identidade do alvo em cuja casa o dinheiro foi encontrado. O material apreendido será submetido a perícia técnica e passará a integrar os autos do procedimento investigatório mantido pelo MPF.
Imagens obtidas pela reportagem mostram veículos da Polícia Federal (PF) e agentes durante uma das diligências em Manaus. Equipes também foram vistas no Residencial Tapajós, na avenida Torquato Tapajós.
A operação foi deflagrada pelo Ministério Público Eleitoral, em ação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a PF. De acordo com o MPF, o objetivo da apuração é investigar supostas irregularidades eleitorais e crimes correlatos e combater o uso indevido da estrutura pública e de recursos não declarados no pleito em curso.
Em nota enviada anteriormente à reportagem, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) informou que as medidas de busca e apreensão foram requeridas pelo MPF após o encaminhamento de informações por setores do MPAM, conforme determina a Resolução nº 297/2024 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). “A atuação do MPAM limitou-se à organização e ao auxílio na execução da operação, realizada pela Polícia Federal, sob a condução do Ministério Público Eleitoral”, informou o órgão. A PF também disse à reportagem que atuou em apoio operacional à equipe responsável pela investigação e pela execução das medidas.
Marcus Vinícius Oliveira de Almeida comandou a SSP-AM antes de deixar a função para disputar as eleições de 2026. Conhecido eleitoralmente como Coronel Vinícius Almeida, ele concorre a uma vaga de deputado estadual pelo Podemos.
Após a busca em sua residência, o candidato publicou um vídeo nas redes sociais em que confirmou a diligência e negou ter cometido irregularidades. “Hoje é dia 1º de outubro e pela manhã a Justiça Eleitoral determinou uma busca e apreensão na Secretaria de Segurança e também na minha residência”, afirmou.
Ele disse ter deixado a secretaria em março para concorrer ao cargo e afirmou acreditar na Justiça Eleitoral. Segundo ele, será demonstrado no processo que não houve irregularidade em sua atuação. “Lá nós provaremos que nada estamos fazendo de errado, porque verdadeiramente não estamos”, declarou.
Vinícius Almeida também afirmou ter 32 anos de serviço público e nunca ter sido acusado de crime anteriormente. Ao comentar a operação, classificou o processo como de natureza eleitoral e política. “Esse processo agora, volto a destacar, é eleitoral, é político, simplesmente isso. Na minha vida inteira eu não cometi crime, não seria agora”, disse.
No vídeo, o candidato relacionou a operação ao crescimento de sua candidatura e afirmou que continuará em campanha. Ao final da gravação, pediu votos para a eleição deste domingo (4/10).
Com informações do jornal A Crítica.

