Manaus amanheceu com níveis elevados de poluição do ar em diferentes regiões da capital, nesta quinta-feira (8/10). Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), consultados por volta das 6h07, mostram concentrações de partículas finas acima dos níveis considerados adequados em boa parte dos pontos monitorados.
O que mostram os sensores
Na imagem do sistema, os índices de PM2,5 variavam de 14,2 µg/m³ a 231,8 µg/m³. O maior registro aparecia na região próxima ao Distrito Industrial, e outros pontos também apresentavam valores acima de 125 µg/m³, faixa classificada como “péssima” na escala do Selva.
Entre os registros do início da manhã estavam 231,8 µg/m³, 199,7 µg/m³, 194,9 µg/m³, 172,6 µg/m³, 152,6 µg/m³, 152,4 µg/m³ e 149 µg/m³. Também havia pontos com concentrações entre 125 e 160 µg/m³, enquanto algumas áreas tinham índices abaixo desse patamar.
A diferença entre os sensores mostra que a qualidade do ar não é uniforme na cidade. Enquanto algumas regiões registravam condições mais críticas, um ponto monitorado apresentava 14,2 µg/m³, dentro da faixa considerada boa.
Fumaça de incêndio no Distrito Industrial
O cenário ocorre após um incêndio de grandes proporções atingir uma área de depósito de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste. O fogo começou na tarde de terça-feira (6/10) e continuou sendo combatido ao longo da quarta-feira (7/10).
Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas atingiram mais de 15 mil metros quadrados e permaneceram em áreas profundas do terreno, onde havia grande quantidade de resíduos. A operação poderia durar entre 24 e 48 horas.
A fumaça já havia contribuído para a piora da qualidade do ar em diferentes regiões de Manaus. Na noite de quarta-feira, dados do Selva chegaram a apontar quatro pontos com classificação “péssima” e outros oito na categoria “muito ruim”.
O que são as partículas PM2,5
Os dados do Selva correspondem, entre outros indicadores, à concentração de partículas finas, conhecidas como PM2,5. Por serem muito pequenas, elas podem permanecer suspensas no ar e atingir regiões profundas do sistema respiratório.
Em episódios anteriores de fumaça em Manaus, especialistas recomendaram reduzir a exposição prolongada ao ar contaminado, evitar atividades físicas intensas ao ar livre e manter a hidratação. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares merecem atenção especial nos períodos de maior concentração de poluentes.
Monitoramento em tempo real
O Selva permite acompanhar, em tempo real, as condições ambientais por meio de uma rede de sensores em diferentes pontos da cidade. A plataforma foi lançada pela UEA para auxiliar no monitoramento de queimadas e da qualidade do ar.
A situação pode mudar ao longo da manhã, conforme a direção dos ventos, a dispersão da fumaça e a evolução dos focos de incêndio. Por isso, os índices do início da manhã representam um retrato das condições registradas naquele momento.

