Um incêndio que começou na tarde de terça-feira (6/10) já dura cerca de 35 horas e continua mobilizando equipes de emergência nesta quinta-feira (8/10), em uma área de descarte de resíduos e materiais recicláveis no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus.
As chamas começaram por volta das 15h e atingiram grande quantidade de materiais acumulados no terreno. O fogo chegou a se aproximar de empresas instaladas na região, o que aumentou a preocupação durante o combate.
Combate é dificultado por resíduos
A grande quantidade e a variedade dos resíduos dificultam o trabalho das equipes. Segundo o Corpo de Bombeiros, parte do material continua queimando em camadas mais profundas, e é preciso revirar os resíduos para que a água alcance os focos.
Mais de 150 mil litros de água já foram usados na operação, que conta com caminhões-pipa e maquinário pesado. A área atingida ultrapassa 15 mil metros quadrados. Apesar da duração do incêndio, os bombeiros informaram que o fogo está confinado e não oferece, até o momento, risco de avanço para as edificações próximas.
Ipaam aplica multa de R$ 5,555 milhões
Durante a fiscalização, órgãos ambientais identificaram no terreno materiais como plásticos, borrachas, papéis, pneus, óleo e outros resíduos que podem alimentar as chamas. Segundo a fiscalização, a área tinha autorização para receber apenas resíduos sólidos inertes, como materiais de construção que não apresentam combustão espontânea.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou em R$ 5,555 milhões a empresa responsável pelo terreno, conforme informações divulgadas nesta quinta-feira. A origem do incêndio ainda está sendo investigada, e não há confirmação oficial de que o fogo tenha sido provocado de forma criminosa.
Fumaça piora qualidade do ar
Enquanto o incêndio permanece ativo, a fumaça se espalha por diferentes regiões da capital. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), consultados na manhã desta quinta-feira, mostraram concentrações de PM2,5 entre 14,2 µg/m³ e 231,8 µg/m³ em diferentes pontos de Manaus. O maior registro foi na região próxima ao Distrito Industrial, e outros locais também ficaram acima de 125 µg/m³, faixa classificada como “péssima” na escala do sistema.
O cenário ocorre após dias de fumaça provocada por incêndios e queimadas na região. Na quarta-feira (7/10), diferentes pontos da capital já apresentavam níveis de qualidade do ar classificados entre moderado e ruim.
Riscos à saúde
A fumaça da queima de resíduos pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de sintomas como dor de cabeça, náusea e mal-estar. Especialistas ouvidos durante o acompanhamento do incêndio alertaram para os riscos da combustão de materiais como plásticos e borrachas.
A recomendação é reduzir a exposição à fumaça, principalmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares. Atividades físicas ao ar livre também devem ser evitadas enquanto os níveis de poluição permanecerem elevados.

