O deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) refutou a tese de que estudantes ligados à direita teriam relação com o incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em entrevista ao Bastidores CNN nesta quinta-feira (8/10). O fogo ocorreu na noite de quarta-feira (7/10). As causas ainda são desconhecidas, mas publicações nas redes sociais associaram o episódio a uma suposta ação de estudantes de direita na universidade.
Grupos de estudantes contra o governo
Medina explicou que, na terça-feira (6/10), um dia antes do incêndio, publicou um vídeo anunciando a criação de grupos de WhatsApp para universitários contrários ao governo federal. Segundo ele, a iniciativa resultou em mais de cinco grupos com mil participantes cada, e ele rejeitou qualquer associação entre o projeto e o incêndio.
“A esquerda está utilizando a estrutura das universidades, os diretórios acadêmicos, para fazer campanha pró-Lula. Há vários grupos: ‘estudantes com Lula’, ‘UFPE com Lula’. Se eles podem fazer, a gente também pode fazer”, declarou.
Versão sobre a causa e acusações
O deputado eleito afirmou que já haviam ocorrido três incêndios na UFPE na mesma semana e que o próprio Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade publicou um vídeo atribuindo o sinistro a um ar-condicionado antigo, descartando origem criminosa.
“O que eles não falam é quem cortou o repasse de dinheiro para a Universidade Federal. Foi o Lula. Tem várias postagens da própria UFPE falando que eles não têm recursos, porque Lula não estava mandando”, afirmou.
Medina citou o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), a deputada estadual eleita Rosa Amorim (PT-PE) e a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) como pessoas que teriam divulgado informações que ele classificou como falsas sobre o caso. Segundo ele, recebeu capturas de tela de estudantes admitindo que espalhavam informações sabidamente incorretas para prejudicar a oposição no período eleitoral.
“Eles estão usando todas as ferramentas que eles têm para poder prejudicar a direita e Flávio Bolsonaro. Eles estão desesperados”, afirmou.
O deputado eleito informou ainda que sua equipe identificou pessoas que o apontaram como responsável pelo incêndio e que pretende processar todos os envolvidos.
Prioridades para o novo mandato
Thiago Medina tem 23 anos e era vereador de Recife desde 2025. Foi eleito deputado federal por Pernambuco pelo PL com mais de 88 mil votos, o equivalente a 1,68% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao falar do fortalecimento da direita no Congresso, disse: “O Brasil cansou da esquerda, o Brasil cansou dessa falação ideológica que ninguém entende nada, ninguém aguenta mais”. Para ele, o eleitorado também demonstrou insatisfação com as pautas econômicas, e a alta carga tributária e a insegurança pública seriam os fatores centrais do descontentamento.
Medina apontou a segurança pública como a questão mais urgente do próximo período legislativo. “A gente vive uma prisão a céu aberto”, afirmou. Na avaliação dele, o crime organizado atua sem resistência efetiva do governo federal.
A reforma tributária é o outro ponto central, segundo o deputado. Ele mencionou que a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP) já se manifestaram contra a reforma. “Quem gera renda e riqueza é contra essa reforma tributária. Eu acho que essas duas pautas vão ser as principais: segurança e poder refazer a reforma tributária ou, pelo menos, fazer uma forma que as empresas não sejam tão penalizadas”, concluiu.

