Um integrante da Procuradoria-Geral da República (PGR), ouvido em caráter reservado pela CNN, afirmou que o áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, divulgado em reportagem da revista Veja, não foi enviado à equipe que conduzia as tratativas de delação na instituição. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9/10).
A PGR rejeitou em junho a proposta de delação premiada de Vorcaro. A decisão foi tomada depois de a Polícia Federal recusar duas versões apresentadas pelos advogados do ex-banqueiro. Há desconfiança de que o áudio tenha sido gravado após o fracasso das negociações.
Linguagem não condiz com as tratativas
Segundo a fonte da PGR, os relatos apresentados pelos advogados ao longo dos meses de negociação eram esquemáticos e escritos em terceira pessoa, nunca em primeira pessoa, como aparece na reportagem. O integrante da PGR também afirmou que termos como “mordidas” e “caciques”, que constam no suposto anexo enviado pelos advogados de Vorcaro aos negociadores, não faziam parte do linguajar das tratativas conduzidas na instituição.
Entorno de Vorcaro confirma voz, mas levanta hipótese de gravação clandestina
Pessoas próximas a Vorcaro confirmaram à CNN a autenticidade do áudio, mas afirmam que o relato não chegou a integrar um depoimento formal às autoridades. Essas fontes dizem que a voz é do banqueiro, mas que não sabem como nem quando a gravação foi feita.
Os aliados levantam a possibilidade de se tratar de uma gravação clandestina, sobretudo porque há uma distorção no início do áudio que, na avaliação deles, indicaria a presença de uma terceira pessoa no ambiente. Asseguram, no entanto, que o áudio é posterior à prisão do ex-banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025.

