A fumaça das queimadas que atingem o Amazonas continua preocupando moradores de Manaus nesta quarta-feira (14/10), mesmo com a melhora recente registrada em alguns pontos de monitoramento da qualidade do ar. O cenário ocorre em meio a incêndios que seguem ativos no interior do estado, incluindo um foco na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, que avançou sobre a Terra Indígena Paraná do Arauató, onde vive o povo Mura.
Leituras do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram que, na manhã desta quarta, sensores em Manaus apresentavam concentrações de partículas finas entre aproximadamente 39 e 63 microgramas por metro cúbico (µg/m³), faixa considerada péssima. Apesar da melhora em relação às medições superiores a 130 µg/m³ observadas no dia anterior, o ar ainda não havia voltado a condições consideradas boas.

Os dados podem ser acompanhados pelo aplicativo SELVA, que reúne medições de partículas finas em diferentes pontos do Amazonas. Como os índices variam conforme o local e o horário, uma leitura isolada não representa necessariamente a situação de toda a capital.
Por que a fumaça chega a Manaus
A presença de fumaça na capital não depende apenas de incêndios dentro dos limites da cidade. Segundo informações, as partículas liberadas pelas queimadas podem permanecer suspensas na atmosfera por horas ou dias e ser transportadas pelos ventos por centenas de quilômetros. Nesta época do ano, a direção dos ventos e a falta de chuva podem favorecer o deslocamento e o acúmulo de poluentes sobre Manaus. A origem da fumaça pode variar, com contribuição de queimadas da Região Metropolitana, do sul do Amazonas e até de áreas de estados vizinhos.
Incêndio no Rio Urubu atinge terra indígena
Enquanto Manaus monitora a qualidade do ar, um incêndio de grandes proporções segue ativo na região do Rio Urubu, na zona rural de Itacoatiara, a cerca de 176 quilômetros da capital. O primeiro foco de calor foi detectado em 30 de agosto, e imagens de satélite indicam que as chamas já atingiram mais de 3 mil hectares de vegetação.
O fogo avançou sobre parte da Terra Indígena Paraná do Arauató, território do povo Mura, e a fumaça também alcança comunidades da região. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Itacoatiara, o incêndio teria origem criminosa, mas nenhum suspeito havia sido identificado até a publicação da reportagem.
O acesso difícil à área impede o combate direto ao principal foco por terra. As equipes contam com apoio aéreo da Defesa Civil do Amazonas, que usa uma aeronave para lançar água sobre os trechos atingidos.

