Em declarações à imprensa durante sua visita à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a necessidade de tornar a Organização das Nações Unidas (ONU) mais representativa e eficaz. Ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Lula enfatizou a urgência de ampliar o Conselho de Segurança da entidade, um órgão crucial para a manutenção da paz e segurança internacionais.
O presidente brasileiro destacou que tanto o Brasil quanto a Índia buscam há mais de duas décadas uma participação permanente neste conselho. Segundo Lula, a ONU precisa ter capacidade de intervenção em conflitos globais, algo que se torna inviável com sua atual estrutura. Ele reiterou a importância de incluir mais países na representação da ONU, com um papel mais proeminente para nações como Índia e Brasil no Conselho de Segurança como membros permanentes.
Lula ressaltou que a expansão das categorias de membros permanentes e não permanentes é fundamental para conferir legitimidade e eficiência à governança global diante dos complexos desafios contemporâneos. Ele também abordou a necessidade de uma governança global da inteligência artificial liderada pela ONU.
Durante o encontro, os líderes reafirmaram o compromisso com a paz e o desenvolvimento sustentável. Lula declarou que o Brasil se empenha em manter a América do Sul como uma zona de paz, argumentando que as verdadeiras batalhas da humanidade devem ser contra a fome, a pobreza e pela preservação ambiental.
Narendra Modi, por sua vez, corroborou a visão de que o diálogo e a diplomacia são essenciais para a resolução de problemas. Ele declarou que Índia e Brasil compartilham a posição de que o terrorismo e seus apoiadores são inimigos da humanidade, e que reformas nas instituições internacionais são indispensáveis para enfrentar os desafios atuais.
No âmbito das relações bilaterais, os dois líderes assinaram memorandos de entendimentos em áreas estratégicas como pesquisa, saúde, empreendedorismo e minerais críticos. Modi celebrou o acordo sobre minerais críticos e terras raras como um passo importante para a construção de cadeias de suprimento resilientes. Lula destacou o avanço indiano em setores de alta tecnologia e a oportunidade de cooperação com o Brasil, com foco em desenvolvimento inclusivo e energias renováveis.
Na área da saúde, os acordos visam a pesquisa e produção local de insumos estratégicos, incluindo vacinas para tuberculose e medicamentos para câncer e doenças raras, além da colaboração em hospitais inteligentes. Os líderes também celebraram o crescimento histórico das trocas comerciais, que já ultrapassaram US$ 15 bilhões em 2025, e estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões até 2030, com Lula sugerindo a possibilidade de revisar este objetivo para US$ 30 bilhões.

