O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para o combate efetivo ao crime organizado no Brasil. Em sua participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Boulos explicou que a proposta, enviada ao Congresso em abril do ano passado, visa fortalecer órgãos como a Polícia Federal.
Segundo o ministro, a PEC permitirá que as instituições de segurança pública federais atuem em todo o território nacional, superando limitações constitucionais atuais que restringem a atuação das polícias civis estaduais a suas respectivas jurisdições. Boulos argumentou que, diante da natureza transnacional do crime organizado, é fundamental que a União tenha capacidade de ação em nível nacional.
Boulos expressou otimismo quanto à aprovação da PEC no Congresso e ressaltou que sua implementação poderá facilitar a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento a grupos criminosos. O ministro também abordou a relação com os EUA, mencionando que a cooperação internacional pode iniciar com a extradição de criminosos brasileiros que se encontram em território americano.
O ministro citou como exemplo a investigação de um esquema de sonegação fiscal bilionário, cujos responsáveis estariam residindo nos Estados Unidos. Ele sugeriu que a colaboração americana poderia começar com a prisão e deportação desses indivíduos, em vez de focar apenas em interesses econômicos dos EUA na América Latina.
Em outro ponto, Boulos enfatizou o compromisso do governo federal com a investigação de crimes, mesmo quando envolvem indicações políticas, como no caso de fraudes no INSS. Ele esclareceu que, apesar de alguns esquemas terem começado antes da atual gestão, as apurações não foram impedidas e indicados políticos foram investigados.
Por fim, o ministro defendeu um debate público sobre segurança pública pautado na transparência e no respeito às instituições. Ele reconheceu o direito à crítica, inclusive a órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), mas condenou veementemente discursos que incitam a violência ou o fechamento de instituições democráticas.

