Apesar da escalada de tensões no Oriente Médio e dos recentes ataques no Irã, o embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, afirmou que nenhum cidadão brasileiro solicitou auxílio para deixar o país. A comunidade brasileira residente no Irã é composta por aproximadamente 200 pessoas, majoritariamente mulheres brasileiras casadas com iranianos.
Em entrevista à Rádio Nacional, Guimarães descartou a necessidade de resgate, explicando que a comunicação com os brasileiros é mantida através de um grupo de WhatsApp, que opera conforme a disponibilidade da internet local. Segundo ele, caso houvesse necessidade de assistência, os brasileiros já teriam entrado em contato. O único caso de saída voluntária de um brasileiro foi o de um treinador de futebol que se retirou do país pela fronteira com a Turquia.
O governo brasileiro mantém o compromisso de prestar assistência aos seus cidadãos e proteger a equipe diplomática. A avaliação sobre a permanência da embaixada no país é feita continuamente. Atualmente, os ataques têm como alvos militares e governamentais, e a infraestrutura básica como energia, água e abastecimento de mercados permanece estável, com poucas pessoas nas ruas. No entanto, o embaixador reconhece o risco de efeitos colaterais e o clima de apreensão e tensão na região.
Guimarães descreveu os ataques como diários e violentos, com o objetivo de atingir estruturas do exército e da Guarda Revolucionária. Ele expressou ceticismo quanto à possibilidade de os ataques derrubarem o atual regime iraniano, como almeja o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O embaixador salientou que o regime é bem estabelecido, com mecanismos constitucionais para substituição de autoridades, e que a formação de um órgão colegiado para substituir o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, já foi anunciada após sua morte em um dos ataques.

