Um impasse marcou os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS na semana passada, com parlamentares da base governista e da oposição divergindo sobre a legalidade da contagem de votos em requerimentos cruciais. O centro da discórdia foi a aprovação de pedidos para a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na comissão, contestou o resultado, alegando que a votação foi “forjada”. Em resposta, Pimenta apresentou um recurso ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), solicitando a anulação dos procedimentos. “O presidente Carlos Viana perdeu qualquer condição de continuar conduzindo esta comissão com a isenção necessária que o presidente de uma comissão precisa ter”, declarou Pimenta.
Por outro lado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a regularidade do processo. Segundo ele, a votação seguiu estritamente o regimento interno e atribuiu a derrota do governo à falta de articulação. “Não houve nenhum erro na votação. Está muito claro que nós seguimos o regimento durante todo o tempo. O governo perdeu porque não se articulou corretamente mais uma vez e se apega nessa questão de que a contagem foi indevida, foi incorreta”, afirmou Viana.
A polêmica ocorreu pouco antes do depoimento de Aline Cabral, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A CPMI do INSS tem seu funcionamento previsto até 26 de março, com um pedido de prorrogação em análise no Congresso Nacional.

